Quadro negro, quadro branco…

Grande parte das escolas brasileiras e em todo mundo têm uma maneira única de transmitir conhecimento aos seus alunos: o quadro negro. Ele é absoluto e impera como instrumento de trabalho para professores e alunos, um meio pelo qual, nenhuma escola ousa, abandonar.

Muitos aficcionados por tecnologia deve ter imaginado uma escola sem ele. Deve ter-se perguntado como seria a vida de um professor acostumado com ele e com o branco do giz em suas mãos e jaleco. Provável que o professor se sinta como não estivesse cumprindo o seu dever de ensinar dado o valor que o objeto tem hoje para escolas, professores de todos os níveis e alunos de todas as séries do ensino básico ao universitário.

Notável que nem mesmo o quadro branco foi capaz de desbancá-lo mas pelo que pode ser observado como tendência o tablet o fará. Rapidamente o dispositivo está surgindo como meio de ensino e em poucos anos deve se apresentar como item essencial aos planos de ensino de escolas particulares; agora, também mais intensamente, nas escolas públicas.

Blackboard Graffiti
Quadro negro (Photo credit: Rsinner)

A adoção do dispositivo, no entanto, suscita dúvidas quanto, principalmente, ao seu valor como contribuição na melhoria do ensino. A dúvida é reforçada pelo insucesso das tentativas várias em colocar desktops nas salas de aula para uso dos alunos. Nem mesmo ao controle administrativo escolar serviu. O insucesso fora em razão da diminuta quantidade de software adequado ao processo ensino-aprendizagem, preço dos equipamentos e até à cultura dominante do quadro negro. A falta de conteúdo, as possibilidades de interconexão e interatividade também contribuíram para que as escolas deixassem de adotar aqueles dispositivos.

Mas agora, na nova onda do tablet, o que há de diferente? O conteúdo, pode-se observar, é amplo e disponível; o dispositivo é mais adequado em razão do seu tamanho e capacidades e permite a mobilidade; conteúdo é farto e também disponível; a conectividade e interatividade depende dos recursos que são fáceis e relativamente baratos para colocar a disposição das escolas. Além de tudo, ele ainda reduz os custos de distriuição de material didático. Mas culturalmente há condição de adotá-lo como meio ao processo de ensino e de aprendizagem?

Evidente que estamos diante de uma nova geração, a denominada “geração Y”. Ela já nasce conectada e ativa em redes sociais que por isso pode ser um diferencial em favor do novo dispositivo; ela está acostumada com o celular e conectada com ele; convive desde cedo com a interatividade presente nas redes. Resta levar em conta a formação e a cultura das escolas e de seus professores acostumados ao quadro negro. E olha, eles sequer tiveram a oportunidade de usar o quadro branco. Nem mesmo o video k-7 ou DVD foi capaz de desbancar o poderoso quadro negro.

Então, estará a estratégia pedagógica alinhada aos novos meios de ensino?

A experiência das empresas alerta que apenas adquirir dispositivos e entregar para seus funcionários não resulta na solução para qualquer necessidade de produção ou qualidade dos bens e serviços a seus clientes. Muitas das tentativas neste sentido estão ainda a procura de solução ou meios de compatibilizar o alto custo de propriedade dos dispositivos, com as suas necessidades. A causa do insucesso está nos seres humanos, na cultura, formação e costume de cada um. Cada professor deve ser treinado e preparado para a mudança radical.

As autoridades do ensino público correm os mesmos riscos se não aprenderem com os erros das empresas.

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