O “A privataria tucana” tira PSDB da degola

Até à eleição presidencial de 2010, privatizar encontrava sentido nos dicionários: passar para o domínio de empresa privada o que antes era do Estado; e piratear: estorquir como fazem os piratas. Bem antes, privatizar era atributo daquele que se autodenominava um intelectual.

O vocábulo ‘privataria‘ do título deste post jamais foi tantas vezes mencionado. Com razão pois ele, até pouco tempo, não existia. Os dois vocábulos repentinamente e tornaram-se, elementos de formação de novo termo que alcunha a ação de políticos de determinado partido na transferência de bens do estado, isto é, de bens públicos para a iniciativa privada e de maneira semelhante a dos piratas, apoderam-se dos bens envolvidos na operação de privatização.

O partido é o PSDB; o político é Jose Serra e sua clã, ex-candidato derrotado na eleição à Presidência da República em 2010. A nova palavra é “privataria” ou ação de privatizar acompanhado da exigência de pagamento de propina com o objetivo de apoderar-se de recursos públicos, do mesmo modo que os piratas que saqueavam e roubavam navios em alto mar escondendo, em seguida, os objetos do saque em algum lugar fora da praia, offsshore.

O livro “A privataria tucana” de Amaury Ribeiro Jr., premiado repórter, em pouco tempo, sucesso de vendas, conta como ocorreram as privatizações nos dois mandatos do PSDB quando Fernando Henrique Cardoso era Presidente. No entanto quem surge como ator principal e mentor de todo o processo de privatização desenfreada é José Serra que era ministro. Nas mentes da maioria dos eleitores, Serra até pouco tempo era tão somente o ex-candidato à Presidência da República dono de mais de 40 milhões de votos. Por estes votos ele mesmo acreditava seria, novamente, canditado em 2014, quando então realizaria seu sonho de ser Presidente. O livro, pelo que parece, joga água bem fria na sua fervura em ser Presidente.

A abordagem do livro assusta pela alcunha de privata (aquele que privatiza usando métodos de pirata) que ele prega no Serra e no seu partido PSDB. Ao leitor, dá como uma primeira impressão que o livro está a serviço dos partidos vencedores da última eleição Presidencial, o PT, PSB dentre outros partidos de esquerda, mas após ler as últimas páginas do livro, o leitor pode ficar com a sensação de que a reportagem contida nele pode ser muito útil aos demais candidatos do PSDB, Geraldo Alkmin e Aécio Neves além de outros que surgirem pelo caminho do embate político de 2012 nas eleições municipais e 2014, na presidencial. Tanto que no Congresso, o pedido de instauração de uma CPI para examinar a denúncia feita pelo livro recebeu assinaturas de politicos de todas as cores e lados, inclusive PSDB e DEM (antes, PFL). É a prova de que ninguém quer perder a onda, que tende a ser o principal tema neste ano: a privataria tucana.

Já José Serra, abatido pelas diversas reportagens ilustradas por documentos-prova, no momento, pode ser considerado fora da disputa de 2014. Aparentemente, PSDB e DEM também mas, quando a poeira baixar, pavimentada estará a avenida para a renovação tucana para a próxima eleição presidencial. Alkmin e Aécio sairão beneficiados pois estarão livres do mais feroz e determinado concorrente dentro de seus partidos.

O tema privatização e pirataria – privataria – que estava estirpando o PSDB, seus aliados e a ideologia neoliberal, por incrível que pareça, agora, livra todos da degola.

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