Crescer ou controlar a inflação, um dilema

Um assunto jamais tratado na área econômica dos governos anteriores no Brasil, no governo da Presidente Dilma ganha cada dia mais espaço nas reuniões ministeriais voltadas para o tratamento da economia. Decidida a marcar seu governo com taxas de crescimento da economia, pelo menos próximas as de níveis históricos, e ao mesmo tempo não permitir que a inflação saia do controle, a política econômica, fiscal e monetária pode até inovar logo neste ano.

A inovação está na análise de possibilidades. Prevendo para 2011 crescimento metade dos 7,5% da efetiva taxa de 2010, neste ano é imperativo que ele fique bem acima dos 3,5%. Para isso, duas variáveis são o foco das reuniões interministeriais: crescimento econômico e a inflação. Elas são o resultado de intervenções na política econômica, fiscal e monetária  do governo e envolvem geralmente a definição do volume de investimentos públicos e privados, do volume de crédito para pessoas físicas e jurídicas e da taxa básica da economia (SELIC).

Dá pra prever que as discussões giram em torno do quanto será preciso investir para não perder a chance de crescer; de qual taxa de inflação será possível suportar sem correr os riscos de voltar à período de inflação galopante. Num raciocínio de engenharia econômica e política o controle da inflação pode ser um pouco afrouxado para encontrar espaço na conta investimentos públicos. É o Estado intervindo com mais intensidade; em suma, se apresentando mais intensamente como um ator e indutor na atividade econômica.

O Brasil, jamais será uma China, que em 2011 deve crescre mais que 9,0% (previsões dão conta de que ela crescerá oficialmente 9,5%), mas, bem que poderia crescer em média, 4,0% ou 4,5% a cada ano. E como impor um crescimento nesta velocidade se ainda possui problemas estruturais (educação e infraestrutura), depende de recursos externos para investimento (que por sinal, com a crise na Europa está mais difícil conseguir) e o medo de voltar à ter inflação em altas taxas mensais e anuais? A solução está, ao que parece, na dosagem do possível e do permitido: conviver com taxas de inflação que permite obter o crescimento possível.

Alem da presença do estado na economia, aliás, um pecado aos olhos neoliberais, ressalta-se a importância do debate interministerial em torno do volume de investimentos, que compromete a meta de superávit primário da política fiscal e a manutenção do índice da inflação em queda. O crescimento da economia, para o debate na escolha do melhor trajeto da política econômica, está condicionado ao volume de inestimentos realizados. Ele onera os cofres sacrificando o superávit fiscal, que tem sustentado o país nas crises de 2008 e, tambem, na mais recente crise da zona do euro, em 2011. Fixado pela LDO em R$ 139,8 bilhões como meta, nas discussões, pode ser afrouxado em 2012, se a meta de crescimento da economia de acima do efetivo de 2011 for realmente levada a sério no governo.

Na trajetória do crescimento, no portanto, está a inflação e a determinação de sustentá-la em sua queda, após ter batido no teto da sua meta de 6,5% em 2011. A equipe econômica junto com a Presidente tem a difícil missão de decidir se abre mão de uma queda acelerada da inflação em troca de crescimento mais vigoroso.

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