A importância da produção agrícola mato-grossense

O Estado de Mato Grosso vem se destacando a cada ano, como um dos estados brasileiros importantes na produção agrícola e pecuária. O crescimento da produção e produtividade da agricultura e pecuária, constitui-se, num contexto econômico e social, na oportunidade de se promover o crescimento e desenvolvimento econômico acelerados, através do beneficiamento, da industrialização da produção primária, da sua subseqüente distribuição local, nacional e internacional bem como pelas atividades correlacionadas às respectivas atividades.

Produção agrícola brasileira – 1990-2003
Produção agrícola brasileira – 1990-2003

Os valores apresentados pela Tabela 1 – Produção agrícola brasileira – 1990-2003 mostram a evolução da produção agrícola no período de 1990 a 2003. Numa análise dos valores da produção mato-grossense, do centro-oeste em relação à produção brasileira constantes da referida tabela, pode-se observar que Mato Grosso vem se tornando um importante produtor agrícola.

Em 1990, o valor da produção agrícola mato-grossense representava 2,74% da produção brasileira enquanto que o valor da produção da região centro-oeste representava 9,91%. Em 1993, o valor da produção mato-grossense apresentou um ligeiro crescimento. Quando comparada com o valor da produção nacional, ano em que sua participação no valor passou para 2,80%, a produção do centro-oeste teve uma ligeira queda, representando o equivalente a 8,55% do valor da produção nacional. Em 2002, o valor da produção agrícola mato-grossense já representava 10,71% do valor da produção nacional, enquanto que o centro-oeste, 22,99%. Considerando a área usada na produção agrícola, em 1990 o Estado de Mato Grosso usou 5,28% em relação à área nacional utilizada e o centro-oeste usou 15,82%. Em 1993, a área utilizada já era de 6,51% da nacional e em 2002, 11,72%. O centro-oeste representava em 1993, 16,57% da área nacional e em 2002, representava 23,45%.

O crescimento da produção pecuária como demonstrado pela Tabela 2 – Produção pecuária: Efetivo do rebanho 1990-2003 tambem evoluíu a cada ano. No ano de 1990, a produção pecuária mato-grossense representava 2,21% da produção nacional e 10,26% da produção do centro-oeste. Em 1993 a participação do Estado na pecuária nacional era de 2,53% e de 10,68% da produção do centro-oeste e em 2002, 3,69% em relação à produção nacional e 13,17% em relação aos estados da região centro-oeste. Quanto a evolução observada no período de 1990 a 2003, o efetivo do rebanho nacional cresceu 53,9%. A região centro-oeste teve um crescimento de 107,5% enquanto que o rebanho mato-grossense cresceu 170,5%.

Produção pecuária: Efetivo do rebanho 1990-2003
Produção pecuária: Efetivo do rebanho 1990-2003

Nota-se, pela produção agrícola e pecuária que no período de 1990 a 2003, o Estado de Mato Grosso apresentou-se como importante produtor agropecuário. Quando comparamos a produção do Estado com a produção da região centro-oeste e da produção nacional esta importância fica demonstrada. As características edafoclimáticas do Estado de Mato Grosso, o avanço da produção agrícola sobre os cerrados antes impróprios à cultura da soja, o uso da tecnologia e técnica de manejo rebanho forneceram as condições para o crescimento da produção de grãos e do efetivo do rebanho, dentre eles o rebanho bovino.

A atividade agrícola impacta na economia pela aquisição de insumos, pela renda excedente gerada nas exportações e pelo beneficiamento e industrialização de itens da sua produção. Os insumos usados pelas atividades agrícolas caracterizam-se pelos bens de produção originados dos setores indústria para agricultura, sendo os maiores beneficiados pela necessidade de maior produção da atividade para fazer frente às demandas interna e externa. A demanda externa por produtos locais primários gera diferenças cambiais que possibilitam realizar as aquisições de máquinas e equipamentos aplicados na modernização do parque industrial e o uso de técnicas de manejo avançadas disponíveis no mercado interno. O beneficiamento e a subseqüente industrialização impactam os setores à jusante da atividade agrícola, pelo emprego de mão-de-obra técnica e não-técnica, equipamentos, máquinas e peças de reposição da indústria de produtos agro-alimentares e não-alimentares e, finalmente, pela exportação de itens de maior valor agregado.

Assim, tomando como pressuposto que o beneficiamento da soja e a obtenção do seu farelo que pode ser usado, posteriormente na formulação de ração animal com o objetivo de usá-la na atividade pecuária, e o óleo obtido, usado na produção de alimentos dentre outros produtos industriais, como exposto, permitem dinamizar a economia local à jusante, ampliando a sua capacidade de exercer as suas funções indutoras do crescimento econômico anteriormente declinadas, além da geração de diferenças cambiais na exportação de produtos alimentícios de maior valor agregado.

A exportação da soja em grãos representa por um lado, uma importante fonte de divisas, em parte, devido à decisão legal nacional de se desonerar dos tributos quando exportados, levando os produtores à preferência pela exportação em detrimento da industrialização. Por outro lado, o nível de exportação pode ser mantido, mesmo levando em consideração as condições de concorrência existentes no mercado mundial bem como considerando as barreiras estabelecidas por alguns países, exportando-se bens derivados de produtos primários de maior valor agregado, após seu beneficiamento, industrialização e preparo para o consumo.

O objetivo de um estudo como este não é versar sobre a agregação de valor aos produtos primários da pauta de exportações mato-grossenses, mas determinar as variações que podem ocorrer na economia local, isto é, em suas variáveis macroeconômicas, especificamente no seu produto, renda e emprego, em decorrência de uma maior atividade dos agentes econômicos nos processos de beneficiamento e industrialização dos produtos de origem primária. É importante pressupor que o beneficiamento da soja e a posterior industrialização dos seus derivados produzem os efeitos necessários adicionais à atividade da cultura da soja bem como às atividades relacionadas, internalizado em termos de incremento nos agregados macroeconômicos expressos por variações no valor da produção, nível de renda e emprego locais.

Um estudo do Complexo Agroindustrial da Soja pode trazer informações sobre o comportamento da economia mato-grossense, bem como métodos e condições para uma simulação da adoção de uma política local que considere a transformação nas agroindústrias locais dos grãos em farelo e óleos e, posteriormente, pela industrialização em produtos finais ao consumidor ao mesmo tempo em que avalia os efeitos sobre a economia, das exportações dos seus derivados.

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4 comentários sobre “A importância da produção agrícola mato-grossense

  1. ola, sou Giuliano gomes de Santana do Livramento (RS), e estou cursando agroindústria, e tenho certeza de que com mão de obra qualificada, e condições favoráveis esse é um meio que só tende a crescer.

    1. Olá Giuliano.

      Você tem razão. A maioria das atividades econômicas, sejam elas ligadas ao campo, agroindústria ou serviços, quando adotados intensivos fatores tecnologicamente avançados requerem mão-de-obra qualificada. Aliás, este fator é atualmente um dos gargalos do crescimento econômico e, em consequência, restringe a capacidade de produção da agro-industria.

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