A importância da cultura da soja no mundo

O consumo de soja em grãos representa pouco mais de 1% da produção mundial, entretanto, do seu beneficiamento obtêm-se derivados que são usados em diversas áreas, da indústria de alimentos à indústria de um modo geral. Enquanto o farelo é aplicado na fabricação de ração animal, grande parte na alimentação de aves e bovinos, a industrialização do óleo passa por diversos processos sendo que sua principal aplicação é a fabricação de óleos para o consumo humano e margarinas.

O farelo que entra juntamente com outros grãos tais como o milho, sorgo e mileto, na composição de ração animal, constitui em produto com capacidade de conversão da proteína vegetal em proteína animal. O aumento no consumo do grão ocorre devido ao aumento considerável no consumo de proteína animal motivado, em alguns países, por mudanças de hábito alimentar, como vem ocorrendo na China e, pela estabilização econômica que deu maior poder de compra à população de baixa renda, como vem ocorrendo no Brasil após a estabilização econômica.

A produção de soja no mundo, apesar da sua importância econômica, limita-se a poucos países. A maior parte da produção é realizada pelos Estados Unidos da América, Brasil, Argentina e a China, que juntos, produziram 89,5% de toda a soja produzida no mundo, em 2004.1 A Tabela 3 – Principais países produtores de soja 1992-2004 – mostra a produção mundial e dos principais países produtores, em milhões de toneladas.

1 Ver FAO: Database Statistical – Faostat: disponível na WWW em http://www.fao.org, 2004

Soja: Países produtores
Soja: Países produtores

Em 1992, os EUA produziram 59,612 milhões de toneladas; o Brasil produziu 19,215 milhões de toneladas; a Argentina 11,310 milhões de toneladas e a China, 10,313 milhões de toneladas. Num período de dez anos, (1992 até o ano de 2002), a produção mundial da soja cresceu 50%, mas se forem computados os anos de 2003 e 2004, o crescimento na produção mundial passa dos 80%. A produção norte-americana que em 1992 representava 52,1 % da produção mundial, em 2004 representou 41,5%. A produção brasileira que em 1992 representava 16,8% da produção mundial, em 2004 era de 23,8%. A Argentina que produzia 9,9% da produção mundial em 1992, em 2004 sua produção representava 15,5%. A China que em 1992 produzia 9,0% da produção mundial, após ligeiro aumento em sua participação (1992-1997), teve sua participação reduzida para os níveis de 8,6% da soja mundial produzida.

Dentre os principais países produtores, apenas o Brasil e a Argentina tiveram um incremento na participação da produção mundial, sendo que tanto a China quanto os EUA tiveram sua participação reduzida relativamente à produção total mundial da soja. Observa-se que, a pequena produção dos 15 países-parte da União Européia  foi reduzida acentuadamente tendo a sua produção no período de 1992 a 2004, passado de 481,14 mil toneladas em 1992 para 268,76 mil toneladas em 2004.

O aumento na produção mundial vem sendo estimulado pelo consumo, indiretamente pelo aumento no consumo de proteína animal produzidas pelos complexos agroindustriais da avicultura, bovinocultura e suinocultura especialmente na China, devido ao seu forte crescimento econômico e mudança no seu hábito alimentar e pela eliminação da dispendiosa produção Européia desses produtos.

Soja: Area Plantada
Soja: Area Plantada

A Tabela 4 – Área plantada de soja – 1992-2004 mostra o crescimento da área usada para o cultivo da soja no mundo e nos principais países produtores.  De 1992 a 2004, os EUA, Brasil e Argentina aumentaram, respectivamente, 27,06%, 182,71%, 127,45%. A da China, 46,43%. Os países-membro da UE reduziram suas áreas em 44,14%. Exceto a Argentina e o Brasil, todos os outros países tiveram sua participação reduzida em relação à área plantada mundial. A participação americana em termos de área plantada mundial que em 1992 era de 42%, em 2004 decresce para 32,7%. A Argentina que tinha uma participação de 8,8% da área plantada mundial em 1992, em 2004 sua participação passou a ser de 15,2%. A participação brasileira em 1992 era de 16,8% da área total plantada, em 2004 era de 23,4%.

A oferta do mercado mundial conforme a Tabela 5 – Importação e Exportação de soja em grãos – ficou distribuída entre os EUA, Brasil e Argentina2, respectivamente exportando 241,31 milhões de toneladas, 86,40 milhões de toneladas e 33,82 milhões de toneladas, abastecendo os mercados da União Européia, China e Japão que importaram respectivamente 143,08 milhões de toneladas, 45,16 milhões de toneladas e 43,05 milhões de toneladas. Os demais países importaram o correspondente a 130,25 milhões de toneladas.

2 O quantum corresponde a exportação dos países relativamente aos anos de 1993 a 2002, conforme dados da FAO Faostats, 2004.

Soja: Importação Exportação
Soja: Importação Exportação

A Tabela 6 – Importação/Exportação de farelo de soja 1993-3002,  mostra que o comércio internacional considerando a UE, Japão e outros países compradores no período de 1993-2002 foi superior a 264,0 milhões de toneladas. Deste montante, a UE liderou a comercialização participando com 58,11%, o equivalente a 153,47 milhões de toneladas importadas. A exportação, por outro lado, é liderada pela Argentina, responsável por 105,0 milhões de toneladas. A UE lidera a importação tanto do grão quanto do farelo, sendo que os EUA lideram nas exportações do grão com 241,31 milhões de toneladas e o Brasil, a do farelo com 106,0 milhões de toneladas.

Soja: Importação e Exportação do Farelo
Soja: Importação e Exportação do Farelo

Por um lado, a China destaca-se como a principal importadora da  soja em grãos, com um incremento na sua demanda no período  de 85,41%; por outro lado, O Brasil se destaca nas exportações do produto, obtendo um incremento de 3,81% no período. Observa-se a ausência da China como importadora de farelo,  sendo que a Argentina se destaca como maior exportadora do produto.

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2 comentários sobre “A importância da cultura da soja no mundo

  1. Caro Cicero, meu nome é Matheus Sleiman da Costa, graduando em Engenharia Agronômica na Universidade Federal de São Carlos e estou desenvolvendo um projeto científico sobre soja. Gostaria de usar seu texto em minha introdução, entretanto, por falta de dados como nome completo, não poderei lhe dar os devidos créditos e portanto, não poderei usar tal publicação. Gostaria de seu nome completo se possível. Um abraço !

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