A produção de soja em Mato Grosso

O nível de produção e a produtividade da atividade produtora de soja foram, desde sua origem, ainda é determinada pelo sistema de produção adotado. Um sistema produtivo é o resultado da adoção de pacotes tecnológicos formulados pelos fornecedores de insumos de maneira que a atividade se apresente rentável econômica e financeiramente, objetivando a sua comercialização no mercado internacional. A Tabela 9 – Produtividade brasileira na cultura da soja – 1990-2003, mostra o crescimento da produtividade nacional da cultura no centro-oeste e no Estado de Mato Grosso. Justifica-se o referido crescimento da produção e produtividade da cultura da soja pelo sistema de produção 1 adotado.

1 Na classificação de ORTEGA (2001), os sistemas de produção segundo a sua opção tecnológica intensiva em energia fóssil (agricultura herbicida e agroquímica) e biológica – uso de energia renovável (agricultura orgânica e ecológica) são: a) sistema de produção familiar, que possui nível ecológicos e econômicos muito baixos, normalmente cobrem uma área de até 3 ha; b) sistema de produção familiar, com bons padrões ecológicos e sociais, em até 30 ha, observadas em propriedades tradicionais de imigrantes no Rio Grande do Sul e Paraná; c) sistema de produção familiar ou empresarial, contendo bons padrões e altos lucros, em uma área de até 300 ha em fazendas-modelo do Rio Grande do Sul e Paraná e fazendas orgânicas nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso; d) sistema de produção empresarial podendo atingir padrões ecológicos não sociais com altos lucros, ocorrendo normalmente em fronteira agrícola formada por famílias vindas do Estado do Paraná e Rio Grande do Sul que vão para Mato Grosso e, e) sistema de produção empresarial em propriedades com área acima de 3000 ha oferecendo níveis sociais e ecológicos baixos com lucro em excesso.

Produção de soja em Mato Grosso

Pode-se observar que a produtividade da cultura da soja teve crescimento constante no período compreendido entre 1990 e 2003. O Estado de Mato Grosso, em 1990 produziu, aproximadamente, 1,97 mil quilos de soja por hectares cultivada; a média da região centro-oeste foi de 1,65 mil quilos por hectare e a média nacional foi de 1,71 mil quilos por hectare cultivado. Os constantes ganhos de produtividade propiciaram que o Estado de Mato Grosso, em 2003, chegasse à media de 2,93 mil quilos por hectares; comportamento semelhante tiveram a produção nacional e do centro-oeste no referido ano, obtendo, respectivamente 2,80 e 2,93 mil quilos por hectare cultivado.

Uma análise do comportamento da atividade, usando os dados da Tabela 10 – Soja: Evolução da produção, área plantada e produtividade 1990-2003, demonstram que, exceto para o Estado de Mato Grosso, a produção da soja passou por período crítico. Os anos de 1991 e 1992 revelam que houve queda tanto na produção, na área plantada e na produtividade brasileira. Apesar da redução da área plantada e da produção, a produtividade mato-grossense cresceu 18,4% em 1991, em relação ao ano anterior, e 26,5% em 1992 em relação ao ano de 1990. A redução da produção, área plantada e produtividade deveram-se à uma redução na disponibilização do crédito agrícola, dada a necessidade de realização de ajustes nas contas públicas.

Evolução da cultura da soja em Mato Grosso
Evolução da cultura da soja em Mato Grosso

Em 1996 houve uma nova redução na área plantada. Em nível nacional a redução da área em relação ao ano anterior foi de 10,6%; o centro-oeste teve sua área reduzida em 4,8%; o Estado de Mato Grosso que reduziu tanto a área plantada quanto a sua produção, obteve um pequeno crescimento na sua produtividade.

No período de 1990 a 2003, a produção brasileira cresceu 160,9%; a do centro-oeste cresceu 264,8% e a mato-grossense, 323,1%. A área plantada brasileira teve, no mesmo período, um incremento de 59,9%; a do centro-oeste, 106,6% e a mato-grossense, 184,3%. Apesar de um grande incremento em termos de produção e área plantada, a produtividade da cultura da soja no Estado de Mato Grosso não seguiu a mesma velocidade. Em 2003 apesar do crescimento na produção e área plantada, a produtividade decresceu.

A Tabela 11 – Soja: Participação no valor da produção, área plantada e receita por hectare – 1990-2003 mostra a participação no valor da produção e área plantada no centro-oeste e em Mato Grosso. Em relação ao valor da produção e à área plantada brasileira, o valor da produção e a área plantada do centro-oeste representavam em 1990, respectivamente, 9,9% e 15,8%. Para o mesmo ano, o valor da produção e a área plantada mato-grossense representavam, respectivamente, 2,7% e 5,3%. No ano de 2003, o valor da produção e a área plantada do centro-oeste representavam, respectivamente, 24,3% e 24,6%. Para o mesmo ano no Estado de Mato Grosso, a sua participação no valor da produção era de 12,2% e a área plantada representava 12,4%.

Participação no valor da produção, área e receita
Participação no valor da produção, área e receita

Os dados da tabela mencionada revelam que a região centro-oeste e o Estado de Mato Grosso, possuíam em 1990, baixo nível de participação no valor da produção e na área plantada, sendo que no decorrer do período, foram obtendo melhores níveis até ao ponto em que se equilibraram o nível de participação no valor da produção e na área plantada em relação ao valor da produção e à área plantada brasileiros.

Uma análise para a receita média obtida por hectare, revela que o Estado de Mato Grosso possui, relativamente à produção brasileira e a do centro-oeste, a menor receita por hectare em todos os anos do período. Como demonstrou a Tabela 9 referida anteriormente, o sistema de produção adotado na atividade mato-grossense da soja se apresenta como sendo um dos mais produtivos, com 2,93 mil quilos por hectare. Entretanto, a receita média obtida por hectare cultivada revela a existência de gargalo na estrutura de custos da atividade. Apesar do seu dinamismo, a atividade não apresenta o mesmo retorno financeiro quando comparada com outros Estados da região.

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