Complexo Agroindustrial da soja em Mato Grosso

A grande produção de soja obtida nas últimas safras (1990 – 2003) em razão tanto da abertura de novas áreas como também e principalmente dos ganhos de produtividade, são suficientes para colocar o Estado de Mato Grosso em posição de destaque. Este texto versa sobre a hipótese de que a exportação, o processo de esmagamento e a  industrialização da soja e seus derivados, fornecem as condições para a instalação e ampliação das plantas agroindústriais destinadas à produção de produtos agroalimentares de maior valor agregado em território mato-grossense.

A produção de soja aos níveis do período mencionado, fornece as condições para a instalação e desenvolvimento de um complexo agroindustrial da soja composto por atores estabelecidos no Estado de Mato Grosso, Brasil e Exterior. Vários destes agentes são empresas de capital social internacional, nacional ou cooperativo. Nas atividades situadas após o setor agrícola, à jusante, formadas por atores responsáveis pela distribuição local, nacional e internacional também se fazem presentes no fornecimento de mão-de-obra técnica e serviços especializados, capital financeiro, transportes e logística sendo que alguns deles estão atuando verticalmente em todos os setores. Isto é, exercem atividades que fornecem insumos para a produção agrícola além de participar da distribuição interna e externa do produto e seus derivados.

A capacidade de esmagamento e o consumo mundial de soja vêm-se expandindo anualmente, confirmando as expectativas de crescimento da produção. Esta observação estimula o estudo do impacto das mudanças na estrutura produtiva da economia mato-grossense caso o processamento de produtos primarios antes exportados fossem processados nas agroindustrias locais. Ressalte-se que de acordo com relatório do BNDES “Panorama do Complexo Soja”, as plantas industriais destinadas ao beneficiamento de produtos vegetais trabalham com capacidade ociosa que gira em torno de 40%. O superdimensionamento se dá em decorrência da concorrência existente entre as originadoras e também pelo fato de permitirem o seu uso no beneficiamento de outros produtos após pouca alteração na planta.

Para o presente estudo o Complexo Agroindustrial Mato-grossense da Soja foi delimitado de acordo com o conceito adotado por MULLER (1991). Com base nele foram extraídos os setores ou indústrias componentes das atividades relativas ao fornecimento de insumos, processamento e industrialização da soja. Os setores estão classificados segundo a estrutura da Matriz Insumo-produto preparada por FIGUEIREDO (2003).

Os setores componentes envolvidos na integração agricultura-indústria estão apresentados na Tabela 13 – Setores componentes do Complexo Agroindustrial da Soja. A referida tabela apresenta os setores definidos pela MIP brasileira com o setor agrícola desagregado de forma a evidenciar os setores importantes da agricultura. A tabela contempla os setores à montante da atividade agrícola, que compreende os setores fornecedores de insumos para a cultura da soja, representado pelos produtos agroquímicos, máquinas agrícolas, meios de transportes e serviços técnicos e de intermediação financeira. No centro, a setor agrícola, que fornece a soja como insumo às indústrias processadoras e de sementes; à jusante, os derivados da soja após sua transformação ou industrialização, composto pelo farelo, usado como insumo nas fábricas de ração animal e óleo bruto usados na industrialização e fabricação de produtos alimentícios tais como a margarina e outros óleos.

Estrutura produtivo-comercial do Complexo Agroindustrial
Estrutura produtivo-comercial do Complexo Agroindustrial

A delimitação do CAI expressa na referida tabela pode ser representada graficamente de forma a mostrar as relações existentes entre os setores. Os setores componentes do grupo Indústria para Agricultura ou setor à montante da agricultura se relacionam fornecendo insumos para a atividade agrícola ao mesmo tempo em que recebem através dos setores de distribuição internacional importações de insumos tais como máquinas e equipamentos e agroquímicos; os setores componentes do grupo distribuição interna do lado à jusante, representam o elo do relacionamento entre a agricultura e as indústrias de alimentos, ou agroindústrias de alimentos bem como outras indústrias; o setor de distribuição internacional relaciona-se com a agricultura, agroindústria de alimentos e outras indústrias pela importação ou exportação de produtos ou insumos usados nas suas atividades.

Observa-se que o setor agrícola, no conceito de Complexo Agroindustrial adotado por este texto relaciona-se com todos os setores do CAI, posicionando-se assim, ao centro da estrutura produtiva, demandando ou ofertando bens e serviços de ou para o setor agrícola. Esta característica é fundamental na diferenciação de um Complexo Agroindustrial para um Complexo Industrial. No Complexo Industrial o setor agrícola não está presente ou os setores à montante e à jusante não se relacionam em sua função. A integração agricultura-indústria se estabelece por ligações representadas por fatores que vão desde a dependência de produtores por financiamento ou comercialização do seu produto até às necessidades de capital útil ao financiamento da atividade.

O Complexo Agroindustrial Mato-grossense da Soja possui, em sua estrutura ao centro, os agentes produtores de soja, cujo sistema de produção é intensivo em capital, pela aplicação de pacotes tecnológicos parametrizados pelos fornecedores de insumos químicos especialmente, fabricantes de adubos, fertilizantes e controladores de pragas. Na maioria das vezes se apresentam como compradores da produção adquirindo a soja para comercialização no mercado interno e externo. A soja comercializada no mercado interno é destinada às agroindústrias para beneficiamento e uma pequena parte dela é tratada para servir de sementes. A maior parte destas atividades é realizada pelas tradings.

No setor à montante do setor agrícola estão os agentes que fornecem máquinas e equipamentos voltados para a agricultura, fabricantes de adubos e fertilizantes, herbicidas, além daqueles que fornecem mão-de-obra especializada. Verifica-se que algumas atividades de intermediação financeira que, em situação comum seriam realizadas por instituições financeiras, são realizadas pelas tradings financiando a produção e ao mesmo tempo contratando o direito à comercialização futura.

Em resumo, a estrutura do Complexo Agroindustrial se caracteriza pela existência de uma menor quantidade de agentes se comparada com o Complexo Industrial. Eles atuam como fornecedores de insumos e ao mesmo tempo como distribuidores do produto no mercado interno, externo além de financiar o produtor em sua atividade.

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