Países em desenvolvimento e o comércio internacional

A partir da metade dos anos 90, países em crescimento da América Latina intensificaram trocas com outras nações. Esta agenda se deu em razão da necessidade de se obter divisas para fazer pagamentos da crescente dívida externa e assegurar ao mesmo tempo, crédito da comunidade financeira internacional. Ela serviu, também, para gerar divisas necessárias para a realização de importações para a modernização do parque industrial.

No Brasil, observa-se a existência de semelhante agenda, devido às decisões de política interna tomadas, através da instituição de mecanismos de incentivo à exportação, os quais desoneraram de impostos os produtos primários exportáveis. Dessa forma, itens nacionais intensivos em mão-de-obra aqui abundante passaram a ser trocados por produtos industrializados, intensivos em capital.

As trocas inter-regionais e inter-industriais são realizadas segundo a ótica das teorias do comércio internacional. Elas se dão envolvendo produtos primários especialmente os da agricultura intensivos em mão-de-obra pelos industrializados, intensivos em capital. Neste mecanismo, a agricultura atua produzindo e ofertando principalmente commodities agropecuárias às indústrias e tradings, e estas, por sua vez, realizando o processo de beneficiamento, transformando-os em produtos alimentares ou insumos para outras indústrias, além de promoverem a exportação. Este modelo é observado nas trocas que envolvem a soja, em parte pelo fato de ser um produto que vem apresentando um considerável aumento no seu consumo em razão da sua capacidade de converter proteína vegetal em proteína animal. O aumento no consumo de soja ocorre em razão da mudança de hábito alimentar em alguns países, especialmente na China, e pelo crescimento da renda em outros cujo excedente de renda é direcionado para aquisição de produtos alimentares. Sendo conversor de proteína vegetal em animal, os produtos primários do setor da agricultura da soja, em especial, continuam apresentando considerável grau de interesse no comércio internacional.

A intensidade das trocas internacionais envolvendo o produto pode ser explicada parcialmente pelas teorias das trocas entre as nações, especialmente pelo teorema de Heckscher-Ohlin. Por ele, a permuta ocorre entre produtos intensivos, em seu valor, em fatores de produção abundantes e existentes por produtos cujos fatores de produção são escassos. Assim, qual a  relação de causalidade que explique a intensidade das exportações de soja, considerando a política de incentivo instituída que tem como objetivo expandir o estoque de divisas cambiais?

A produção de soja em Mato Grosso é intensiva em capital. Ele está se decompõe em terras altamente produtivas, mão-de-obra técnica especializada na condução de pesquisas científicas e sua aplicação na atividade. Ambos os fatores de produção são abundantes no território brasileiro apesar de existir restrições mínimas quanto a sua mobilidade. Considerando que a quantidade relativa de capital exportado em termos de soja seja superior à quantidade relativa de trabalho exportado, logo, segundo o teorema da teoria de Heckscher-Ohlin, o Estado de Mato Grosso é um exportador líquido de produtos intensivos em capital. Assim, a equalização dos fatores ocorre, justificando a intensidade exportada do produto.

O crescimento da produção e produtividade da soja e de outras culturas em Mato Grosso, é o resultado da aplicação de técnicas de manejo, aprimoradas em pesquisas realizadas por instituições de pesquisas nacionais. Vem desta constatação a afirmação de que a sojicultura se dá com o uso intensivo de capital mais que de trabalho. Sabendo-se em qual fator existe abundância e verificando a quantidade relativa do fator de produção frente às importações, justifica-se pela análise, a intensidade do comércio internacional existente entre o Estado de Mato Grosso, resto do Brasil e resto do mundo. Sendo a soja produzida segundo um sistema de produção intensivo em capital, a sua exportação em grãos já fornece a devida vantagem econômica. Contudo, a produção de bens de maior valor agregado, através do processamento e transformação do produto itens alimentares semi-prontos ou prontos para o consumo pode adicionar vantagens adicionais. Essas vantagens são refletida nas operações de trocas internacionais bem como no impacto sobre o valor da produção da economia nacional, regional e local, em razão do dinamismo que seria imposto aos setores à jusante que se inter-relacionam com a atividade.

Uma análise empírica que verifique a existência de diferencial no dinamismo da economia pode comprovar este caso específico de comércio internacional. Esta análise deve considerar o beneficiamento da soja produzida e, posteriormente, a industrialização, distribuição e comercialização dos itens de consumo obtidos como política opção de dinamização da economia nacional, regional e local.

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