Efeito “pedra no lago” e o Senado brasileiro

A democracia brasileira está, inquestionável madura. Ela já permitiu de impeachment de um Presidente da República a cassação de membros do Senado e da Camara de Deputados. Sem contar com inúmeros casos de interrupção democrática de mandatos espalhados pelos estados e municípios nos âmbitos do executivo e legislativo. Mas, de certa forma, a última cassação ocorrida no dia 12 de julho leva a uma reflexão para além do decoro. Leva a reflexão sobre a extensão do indecoro Brasil afora.

O fato que recentemente ocorreu, pasmem como estou, não se limita  ao Senado.

Efeito pedra no lago
Efeito “pedra no lago”

Pare e pense!  Se este exercício for feito vai concluir que as evidências que levaram à cassação do mandato do Senador da República podem ser constatadas com bastante frequência nos poderes em todos os níveis. Vai ficar assustado quando refletir e concluir que elas existem nos órgãos e instituições da administração direta, indireta, mista e também nas autarquias, guardadas as devidas proporções.

Sendo um (falso) moralista fez acusações sem provas tando que pede desculpas em seu julgamento pelo ato, admitindo seu indecoro. Descoberta a farsa deixa todos atônitos e decepcionados por acreditar que tudo expelia era por legítima defesa da moral. Poderia existir outros políticos naquelas casas de representantes do povo brasileiro com comportamento idêntico? Devemos ficar atentos pois desvios daquela natureza podem estar ocorrendo em todos os níveis da coisa pública e em graus diversos de afronta à nação. E para piorar, usando o mesmo modus operandi descoberto.

De modo que, se a farsa correu no Estado de Goiás, é muito provável que esteja ocorrendo em Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou São Paulo. É até mesmo possível que a prática esteja incorporada no “modo de fazer as coisas” em todos os estados e em todos os níveis da administração pública. E que este modo de fazer esteja empregnado e sendo reproduzido nas instituições privadas como padrão de suas operações. Pense! Pense que em suas devidas proporções, o que ocorre no Senado e na Câmara dos Deputados estende-se para as casas do povo nos níveis estadual e municipal. Pare e reflita.

De certo modo, o mesmo jeito de contratar, pagar, receber por serviços contratados em todos os níveis seguem um padrão reproduzido a partir do jeito de contratar, pagar, receber praticado no Senado. Pense. No modo de operar com o fim de levar vantagens sem que todos imaginamos esteja seguindo o decoro que compete a cada homem e mulher pública.

Imagine um “senador” como o cassado em cada Prefeitura Municipal ou Câmara Municipal, Palácio de Governo e Câmara dos deputados; na Receita Federal, em cada ministério, instituições, universidades e hospitais públicos;  em cada partido político em busca de financiamento de campanha. Um “senador” em cada instituição criada para atuar em atividades de interesse público.

Como o efeito “pedra no lago” independente da sua origem o modo de agir indecoroso se espalha para a periferia, lá se instalando.

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