Influências da nascente indústria brasileira de computadores dos anos 70

A indústria nascente brasileira de computadores dos anos 70 e 80 contribuíu para o desenvolvimento do atual mercado brasileiro de serviços de tecnologia da informação e comunicação. E a reserva de mercado da época exerceu, de certa forma, alguma influência nos usuários, nas empresas e na cultura de ambas. Estas suposições podem ser confirmadas ou refutadas se o período for observado segundo as condições econômicas, necessidades de controle e gestão das instituições públicas e empresas da época.

Difícil acreditar que naquela época quem tivesse contato – seja na condição de usuário ou profissional dos CPD´s – com um computador era um privilegiado. Nerd, intelectual, inteligente! Os computadores, geralmente, ocupavam vários andares da sede das estatais federal ou estadual, as únicas em condições de comprar, alugar, instalar e operar o equipamento. Eu mesmo, orgulhoso, tive a oportunidade de “operar” uma ou outra unidade dessas estonteantes instalações no início da década de 80. Apesar disso, o que marcou de certa forma radical, foi o fato de eu ter usado, diariamente, na década de 90, um computador pessoal.

Computador Burroughs
Computador Burroughs

Acredito que sou, dentre poucos, um dos que conviveu diretamente com estas fabulosas máquinas, em seu estado de grande porte. Mas também com médios e pequenos portes, além dos pessoais, claro. Os computadores pessoais, curiosamente, foram, em razão da proteção do mercado para o segmento, os que garantiram o nascimento e a sustentação de uma indústria genuinamente brasileira de computadores. Tenho uma tendência a acreditar que, sem a proteção da reserva, nós, brasileiros, não teríamos alcançado um estágio maduro do desenvolvimento tecnológico.

Afinal, temos a melhor tecnologia da informação voltada para gestão bancária, nível que alcançamos dada a necessidade que tínhamos de conviver com uma inflação galopante. Temos também boa tecnologia para prestar contas à Receita Federal e votar nas eleições, que neste ano, promete os Tribunais Regionais Eleitorais entregar o resultado para cargos majoritários em menos de 4 horas.

Proteção para o fortalecimento da indústria nacional.

A indústria de computadores brasileira passou por um período protegida da concorrência internacional. Tendo o objetivo de assegurar o seu fortalecimento e permitir a formação de mão-de-obra local, acabou, de fato, criando produtos novos, largamente usados em todas as áreas da atividade econômica. Produtos fruto da capacidade inovativa de engenheiros formados por aqui mesmo.

A realidade é, que, sob proteção ou concorrência, com ou sem incentivos, a indústria brasileira de computadores acabou produzindo relíquias, pouco conhecidas pelos profissionais que entraram no mercado recentemente.

No início dos anos 70, atraídas por incentivos, três instituições trataram de adquirir suas máquinas. A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro adquiriu um B205 da Burroughs; o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, um Univac 1105; a empresa Listas Telefônicas Brasileiras instalou um Gamma, da Bull Machines.

Para atender as necessidades de fornecimento de dados para as máquinas a indústria fabricava terminais. Em 1976, ela havia produzido seis mil terminais. Posteriormente, surgiu um equipamento que pode ser considerado uma inovação. Um equipamento que fez sucesso. Um concentrador de teclados que estimulou a indústria a projetar e fabricar outros equipamentos. Surgiram telas como o STV-1600, que era um sistema de transcrição de dados por meio de terminal de vídeo.

Na esteira da euforia das ciências da computação e eletrônica bem como serviços relacionados, surgiram várias empresas. Uma delas, a Cobra Tecnologia, estatal, é atualmente ligada ao Banco do Brasil. Ela produzia minis, supermicro e micro computadores em um modelo vertical de produção que envolvia tambem a criação do sistema básico, o sistema operacional.

Empresas nacionais

A idéia era construir computadores brasileiros genuinos. No entanto, com a morte da indústria genuina de computadores pode ter sido enterrada a idéia de reinvenção da roda. Era economicamente inviável em razão do que havia no mercado internacional para ser importado e, até mesmo disponível no mercado clandestino, contrabando.

Mesmo assim, acredito que o curto período em que a indústria esteve ativa foi suficiente para o aparecimento de empresas ligadas à tecnologia da informação. Elas conseguiram internalisar não somente conhecimento acadêmico interno mas também técnicas da indústria dos centros mais desenvolvidos. Se a ainda existissem seriam agentes do recente setor de TIC (Tecnonogia da Informaçãoo e Comunicação) brasileiro analisado pelo IBGE.

Eis algumas excelentes empresas daquele período:

Spectrum Ed, Apple compatível

Além da Cobra já mencionada, haviam a Microdigital, Spectrum e Scopus, fabricantes de microcomputadores compatíveis com a americana Apple. Posteriormente, algumas passaram a produzir equipamentos compatíveis com o padrão PC. Alguns dos produtos foram o TK 2000 e TK 3000, Microengenho I e II, Spectrum ED, linha Nexus e Scopus. Eram chamados de “clones” por que prometiam executar aplicativos projetados para um Apple ou para um PC.Algumas das empresas daquele período sobreviveram à concorrência do mercado interno e externo. Outras ainda estão no mercado de serviços hoje. Em todos os casos elas foram importantes para o atual estágio de desenvolvimento e estabelecimento do uso dos recursos da tecnolgia da informação como ferramentas de trabalho.

Meu Apple compatível

É importante considerar a questão cultural para pessoas e, principalmente para as empresas. Podemos citar casos – apesar de poucos mas que são significativos para a indústria – de serviços e formação de mão-de-obra relacionads com a tecnologia da informação.

Apple Inc.  New Headquarters
Apple Inc. New Headquarters (Photo credit: MarkGregory007)

A IBM solidificou a cultura dos grandes, médios e pequenos computadores; a Microsoft, na onda do computador pessoal tornou-se líder baseada em seus pacotes Office e sistema operacional para computadores pessoais. A Apple com seu sistema operacional muito amigável contribuiu para facilitar o uso dos computadores pessoais, popularizando-os.Com isso, certos usuários e empresas não abrem mão do Windows ou de um Office da Microssoft; outros sempre consideram um Mac com a sua bem elaborada interface gráfica e modelo de negócio, produtos e serviços únicos.

Eu que usei um TK 2000e e um Spectrum ED. Contudo, apesar de usar um PC atualmente, tenho sempre em mente um Mac. E por conta disso, não penso em usar um telefone se não um iPhone.

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