Uma odisseia pelo Pantanal Mato-grossense

Tenho reiterado que o Pantanal Mato-grossense não tem sido visto pelos mato-grossenses ou pelos que não são mas já tem este Estado no coração como se fosse seu, de nascimento. As minhas impressões são por conta de que tenho visitado algumas pousadas para meu próprio deleite, tendo nestas idas e vindas sentido o quão distante este pedaço de terra está para os desta terra.

Para os daqui

Lá, as condições de acesso às belezas naturais do lugar são difíceis em razão das suas características. As dificuldades envolvem principalmente questões de capacidade financeira exigida para o turismo na região pantaneira e outras.

Falando em primeiro lugar das condições financeiras. Os preços praticados na região pantaneira tornam a pretensão do turista local proibida. É comum encontrar empreendimentos que usam moeda estrangeira como referência e até para o pagamento pelos produtos e serviços prestados. O dólar é o preferido. A moeda nacional é usada apenas como meio de pagamento.

Transpantaneira
Transpantaneira

Em segundo lugar, o meio de transporte. Esse é a chave para uma viagem de sucesso ao Pantanal. Sem ela o turista local não consegue sequer atravessar as estradas alagadas e semi-alagadas, pontes por cair e um pouco de lama quando por atrevimento o turista tenta sair da trilha, a Transpantaneira. Para conhecer o Pantanal o turista tem de ir preparado para enfrentar toda a sorte de dificuldade. Além disso deve saber, principalmente, que em época de chuva, que ocorre entre os meses de dezembro e janeiro, o ideal e usar carro grande, quiçá traçado.

O turista local na maioria das ocasiões prefere usar o seu veículo de uso diário. Eles não estão em condições de transitar por aquelas vias. Isso limita o número de turistas de fins de semana, comuns, mato-grossenses, de conhecer o pantanal.

Transpantaneira

Transpantaneira
Transpantaneira

Pela veia principal de acesso às diversas pousadas e área de ecoturismo pantaneiro a Transpantaneira chama atenção pela diversidade da fauna e flora que o turista pode encontrar e observar. Seja livre ou não, os bichos chegam a posar para fotos e a vegetação parece demonstrar certo rancor com seus visitantes como que tentasse se proteger de algum crime ambiental na eminência de ser praticado.

Rumo ao Porto Jofre, pouco transito de veículos. Um indicativo de que poucas pessoas serão encontradas; apenas placas indicativas de oferta de espaço para a prática do ecoturismo acompanhado de estadia podem ser avistadas. Arriscar um desses locais, qualquer um, é aventurar-se pela selva pantaneira.

A odisseia

O coração do turista bate mais acelerado ao imaginar seu encontro com os bichos, com a cavalgada, com os passeios de barco, pesca e safári em carros e vestimentas apropriadas. No fim pode ficar um pouco decepcionado. Algum item esperado pode deixar a desejar ou até inexistir.

The Pantanal, Brazil, seen here in flood condi...
O Pantanal Mato-grossense (Photo credit: Wikipedia)

A decepção pode ser explicada pela condição econômica da região e também pela finalidade para as quais, originalmente aquelas construções foram feitas. Poucas foram projetadas para receber visitantes em relativa quantidade. No entanto esta é uma característica do ecoturismo, em que propriedades rurais recebem o urbano e apresentam para ele as mesmas condições que o morador do lugar tem. Algumas, de fato, não tem condições de logística para receber turista.

O preço contudo, é o mesmo praticado pelo turista estrangeiro, aquele que vai ao pantanal para conviver com a flora e fauna da região tal como ela se apresenta. Ele quer aventura. Diferentemente, o turista local busca lazer. A moeda que o turista local traz para trocar pelos serviços ou pelo prazer da exploração e visitação da riqueza natural deixou de ser usada pelas bandas de lá.

A odisseia para muitos daqui, nas condições de igualdade com europeus e norte americanos é impensável.

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