Geração de emprego e renda e a agroindustrialização da soja

A pujante atividade agrícola e pecuária praticada no Estado de Mato Grosso oferece condições adequadas para o uso de um ou mais de seus principais produtos primários como elementos na determinação ex-ante, dos incrementos das variáveis macroeconômicas do Estado. O objetivo de estudos dessa natureza estão vinculados à formulação de política econômica com a finalidade de se prever as taxas de crescimento do Produto Interno Bruto, Renda e Emprego do Estado.

A observação de que a maior parte da soja produzida em Mato Grosso é exportada in natura chama atenção pela oportunidade de indução da economia perdida. A hipótese do beneficiamento do grão e a posterior industrialização dos itens obtidos do processo transformando-os em bens de consumo alimentar de maior valor agregado é relevante se a ação for tomada como instrumento de indução do desenvolvimento econômico e social do Estado. Uma decisão governamental de incentivo ao beneficiamento  e industrialização para, posteriormente realizar a exportação de produtos alimentares de maior valor agregado amplia a capacidade indutora que os setores agrícola possuem.

Modelo Insumo-Produto

Matriz Insumo-produto
Matriz do modelo Insumo-produto

O uso de um modelo eficaz para o cálculo do impacto nas variáveis macroeconômicas em razão da alteração das atividades em um setor dinâmico estabelecem o nível de  importância desses setores como detentores de atividades geradoras de produtos indutores da economia. Neste sentido, os setores componentes dos Complexos Agroindustriais são elegíveis para receberem choques com a finalidade de determinar o comportamento da economia do Estado em termos das variações do seu produto, emprego e renda.

No que se refere à determinação ex-ante dos impactos sobre as referidas variáveis o Modelo Insumo-Produto (MIP) constitui um eficiente instrumento de predição. O modelo foi idealizado por Wasily Leontief. Com ele e com a ideia da aplicação de choques, isto é, a concentração de localizados investimentos e a formulação e aplicação de política governamental (ou ambos) que priorize o beneficiamento e industrialização de produtos primários  torna-se possível identificar e predeterminar o setor que tem o maior poder de impactar a economia como um todo em termos de desenvolvimento.

Beneficiamento e industrialização

Um exercício de natureza tal que busque determinar o modo como os demais setores da economia se comportam diante de uma alteração dos níveis de investimento tradicionalmente praticados pode determinar uma menor trajetória para alcançar um constante crescimento do produto, emprego e renda. Uma hipótese a considerar é a adoção dos processos  de beneficiamento e a posterior industrialização da totalidade da soja exportada e analisar o compartamento daquelas variáveis levando em conta alguns pressupostos e cenários. Pode-se pressupor a existência de dois sistemas produtivos da soja: um, voltado para a exportação e outro voltado para a industrialização. No primeiro, os setores à jusante de qualquer complexo agroindustrial não são requeridos; no outro, são envolvidos em atividades que agregam valor ao produto. Dentre os cenários estão a possibilidade de que o produto mais dinâmico da região seja beneficiado nas agroindústrias da região e a subsequente industrialização dos itens que resultaram do beneficiamento dos quais se obtem produtos acabados prontos para o consumo.

O processo de beneficiamento da soja, segundo as técnicas de esmagamento atuais, resulta, aproximadamente na produção de 79% de farelo, 19,2% de óleo bruto e 1,8% de outros produtos ou resíduos. Se estes percentuais forem aplicados em ambos os cenários é possível determinar o impacto sobre a economia da região pela análise do multiplicadores da produção, renda e emprego da economia mato-grossense, considerando os cenários dos sistemas produtivos da soja voltados para a exportação e para o beneficiamento ou beneficiamento e posterior industrialização. Trata-se, portanto, de uma análise de impacto (ex-ante) das variações do produto, emprego e renda da região.

Soja, petróleo e pobreza da população rural

A razão de que um choque seja aplicado à demanda final dos setores à jusante mais dinâmicos da agricultura ou pecuária, é que em um sistema produtivo voltado para a exportação de produtos in natura (modelo primário exportador) somente os setores à montante dos setores agrícolas centrais são impactados. Neste sistema produtivo o impacto se dá em razão de que os setores a montante estão envolvidos no fornecimento de insumos para para a atividade central tais como equipamentos e serviços.

Modelo primário-exportador
Petróleo: Modelo primário-exportador

Esta característica exclusiva de qualquer setor produtivo de produtos primários voltado para a exportação é análogo ao setor extrator de petróleo de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Neles, apesar da forte entrada de divisas por conta do petróleo normalmente exportado in natura não ameniza a pobreza do seu povo.

Na maioria dos países nestas condições persistem grandes diferenças sociais entre uma minoria rica e maioria pobre.  As diferenças persistem em razão de que a atividade extratora de petróleo além de ser fortemente realizada por equipamento de grande porte importados, isto é, extensivas em mão de obra, é realizada apenas para exportação do produto em seu estado natural. Em consequência, o modelo não permite o nascimento e desenvolvimento no interior do complexo petroleiro setores à jusante tais como refino e a fabricação de itens de maior valor agregado no país que, se existisse, geraria emprego e renda e, consequentemente contribuiria com incrementos no produto.

Como referência e informações complementares sobre a relação entre pobreza de populações rurais e as atividades primário-exportadoras estabelecidas no Estado de Mato Grosso veja o artigo científico “Pobreza e desigualdade de renda entre famílias da zona rural de Mato Grosso de 2004 a 2006“.

Obtendo emprego e renda adicionais

Se por um lado a riqueza do petróleo é dividida com a população apenas por meio de programas sociais de distribuição de renda, por outro, a riqueza gerada pelo setor sojicultor mato-grossense tem uma segunda opção. Ela pode também ser distribuída por meio da aplicação de política que incentive o beneficiamento da soja in natura e a posterior industrialização dos itens obtidos por aquele processo de beneficiamento. Sendo beneficiada a totalidade da soja produzida os itens obtidos desse processo como o farelo (79%), o óleo (19,2%) e outros subprodutos (1,8%) já resultaria em substancial impacto em termos de emprego e renda. Pode-se obter maior impacto se estes itens do beneficiamento forem industrializados. O farelo entraria como insumo em outros Complexos como o da carne bovina, suina e aves na formulação de ração animal; o óleo, refinado e usado em outras indústrias alimentares e da beleza.

Dessa forma se dá o impacto sobre o lado à jusante do setor sojicultor e assim se obtem o necessário dinamismo dos seus setores sendo imposto um  ritimo maior no crescimento do produto, emprego e renda e consequentemente a obtenção de maior nível de desenvolvimento da região.

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