Questões dos impactos sobre o produto, emprego e renda

A análise dos impactos sobre o valor da produção mostra que o sistema de produção da cultura da soja voltado para a exportação, quero dizer, modelo primário-exportador, como esperado, não dinamiza os setores à jusante do setor produtor de soja. Neste sistema produtivo, apenas se beneficiam os setores à montante do setor sojicultor, em razão de que eles são envolvidos no fornecimento de insumos para o setor central. Já o sistema de produção voltado para o beneficiamento ou industrialização, isto é, modelo agroindustrializador, permite que sejam obtidos maiores incrementos no produto, emprego e renda em geral.

Este post tem o objetivo de expor as questões relacionadas com a determinação dos impactos sobre o produto, emprego e renda caso decidam processar beneficiando e industrializando seus produtos de origem primária. Certas atividades, os agentes produtores da soja como exemplo, se limitam a exportar grande parte do grão in natura, limitando-se a exercer atividade típica primário-exportadora. Analisa o caso específico do Estado de Mato Grosso que possui em seu interior um setor sojicultor de alta produtividade componente de um Complexo Agroindustrial que exporta grande parte da soja produzida in natura.

Determinando os impactos sobre o produto, emprego e renda

Simulações dos novos valores do produto, emprego e renda são realizados em trabalhos científicos usando como instrumento o modelo insumo-produto. Considerando o processo de beneficiamento como cenário em análise, verifica-se que ele produz impactos sobre o valor da produção superiores ao modelo primario-exportador mas inferiores ao modelo agroindustrializador completo, em que após o beneficiamento da soja produzida os itens obtidos daquele processo são industrializados para produzir produto acabado pronto para consumo alimentar. Estudos separam o processo de beneficiamento do processo de industrialização, para verificar o comportamento da economia nos casos em que os produtos derivados da soja industrializa são comercializados para consumo alimentar, como por exemplo, nos casos em que o farelo é exportado ou ofertado como insumo em outras cadeias produtivas agroalimentares.

Vale ressaltar que as plantas das agroindústrias, em sua maior parte, estão preparadas para realizar de forma integrada os processos de beneficiamento e em seguida os de industrialização dos derivados. Assim, quando consideram os processos em conjunto – beneficiamento e a subseqüente industrialização dos derivados – não são necessários investimentos adicionais para executá-los.

Exportar produto acabado
Exportar produto acabado

Segundo as simulações, o processo de beneficiamento apenas não resulta em impacto suficientemente necessário para se obter aceitáves diferenças nas taxas de crescimento no produto, na renda e no emprego. Entretanto, observa-se uma alteração na dinâmica das relações intrasetoriais tanto do Complexo Agroindustrial da Soja quanto dos demais setores. Valores consideráveis na variação do produto, emprego e renda são observados quando a soja é beneficiada  e a subseqüente industrialização é realizada. Na primeira etapa do processamento da soja, o farelo, um dos principais insumos é usado na formulação e produção de ração animal, especialmente na produção de carnes na avicultura e suinocultura e bovinocultura; o óleo bruto, refinado, na produção de óleo comestível e outros produtos, inclusive como óleo combustível (biocombustível) e até na indústria de cosméticos. Para que sejam indutores da economia, que conduzam a variações satisfatórias nas variáveis macroeconômicas, no entanto, os produtos da agricultura precisam passar por diversos processos, do beneficiamento, industrialização e preparo até à embalagem para distribuição ao consumidor final.

Desta observação verifica-se que o produto obtido pelo processo de beneficiamento não se constitui, por si só, em etapa atrativa na indução da economia mas, alguns países importam a soja para, justamente, produzir internamente em sua indústria o farelo, óleo e outros produtos derivados. O objetivando desses países é claro: induzir as suas economias ao crescimento do produto por meio do encadeamento das atividades à jusante da atividade sojicultora, uma vez que o que produzem apenas o encadeamento à montante do setor não é suficiente para gerar as condições de indução da economia.

Sistemas de produção primário-exportador

Algumas dificuldades na implementação de política nesta direção, está o fato de que o esmagamento e a industrialização da soja estão distribuídos entre países produtores e importadores de grão, óleo e farelo numa relação em que os fatores de mercado internacional afetam a decisão de se investir no beneficiamento e industrialização tais como preços e a concorrência de outros países produtores. A especialização e a divisão social do trabalho também constituem fatores que levam a existência de países exportadores de grãos da soja in natura e outros industrializadores desses mesmos produtos. Uns se limitam à adoção de sistema produtivo primário-exportador da soja e aos outros, a sua industrialização para comercializar posteriormente os itens de consumo alimentar de maior valor agregado, inclusive exportando-os posteriormente. Assim, a realização do completo processo de industrialização deve passar por processo de integração das cadeias produtivas agro-alimentares, das quais podem ser gerados produtos acabados e prontos para o consumo.

Exportação de produto acabado
Exportação de produto acabado

Para se prever como se dá o comportamento da economia segundo cenários preestabelecidos calculam-se os multiplicadores simples e totais para os agregados do valor total da produção, renda e emprego. Os multiplicadores para o sistema de produção voltado para o beneficiamento/industrialização da soja, isto é, voltado para o sistema agroindustrializador mostram-se possuir maior capacidade multiplicativa, quando comparados aos multiplicadores do sistema produtivo voltado para a exportação, primário-exportador. A maior capacidade de encadeamento da economia se deve, como já exposto, ao fato de que os setores à jusante da cultura da soja são exigidos em suas funções de beneficiamento da soja e posteriormente na industrialização do farelo e do óleo bruto. Um maior encadeamento da economia pode ser verificado, caso no complexo agroindustrial, os processos de embalagem e distribuição dos produtos industrializados são considerados.

Industrializando a soja produzida

Enfim, o modelo demonstra que tanto o sistema de produção da soja voltado para a exportação quanto o sistema de produção voltado para industrialização, beneficiam a economia com intensidade equivalentes de modo geral, entretanto, fica evidente que pode-se obter maiores taxas de crescimento no produto, renda e emprego com total industrialização da soja produzida. A hipótese de incremento nos agregados macroeconômicos através do beneficiamento e industrialização de produtos primários que atualmente fazem parte da pauta de exportação encontra maior sustentação em estudo de maior amplitude, envolvendo as cadeias produtivas das demais indústrias agro-alimentares.

Em razão disso, a produção de artigos elaborados para o consumidor final, usando as cadeias produtivas a partir de produtos gerados no setor agrícola, no caso mato-grossense, do setor agrícola da soja integrados aos setores de produção de carnes, indústrias agro-alimentares e demais indústrias correlatas, constitui em um conjunto de decisões de política agrícola e econômica que devem ser tomadas para se obter crescimento mais acelerado da economia do Estado de Mato Grosso.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s