Da publicação enviesada aos mitos e tabus

Estamos vivendo em um sistema político mas que está, continuamente, amadurecendo sua democracia. O processo de amadurecimento pode ser observado delimitando um período que compreende o momento em que recuperamos o direito de votar e de eleger o Presidente da República até hoje. No entanto, ao mesmo tempo em que amadurecem a nossa consiência política e democrática, criamos e destruimos mitos e tabus que, em determinados momentos desqualificam o processo de amadurecimento.

Podemos afirmar que de certa maneira houve um período em que o exercício da presidência foi um mito. Uma crença infundada de que militares apenas podiam ser nomeados Presidentes do Brasil. O período da ditadura militar vivido, criou o mito para os desavisados, que  somente um militar podia ser presidente, até um civil, Tancredo Neves, mesmo que em processo eleitoral não inteiramente democrático, ser eleito em 1985. Juntamente com a destruição deste mito chegou a possibilidade de cada brasileiro exercer a sua cidadania com liberdade de expressão, fato que destruíu outra crença sem fundamento de que a figura do Presidente da Republica era intocável.

Não apenas deixou de ser intocável como também, de resto, passou a ser desrespeitada a ponto de estar constantemente sendo envolvida em atos difamatório e calunioso. O meio de disseminação de informação caluniosa e desrespeitosa preferido pelas suas características intrínsecas são as mídias sociais. O meio é poderoso para muitos fins, inclusive para os fins acima e, por esta razão, manobrado por agentes formadores de opinião com interesses jamais explicados.

Gabinete do Presidente da República
Gabinete do Presidente da República (Photo credit: Wikipedia)

Episódios de atos de desmerecimento, sátira, desmoralização, desrespeito para com a pessoa e ataque à idoneidade da pessoa usando palavras de calão são fartos. Eles podiam ser vistos nas cartas de leitores das revistas e jornais mas agora estão presentes nas páginas da internet e intensamente em paginas que popiciam interatividade como blogs. Ocorre também em mídias alternativas.

O fenômeno vem ocorrendo desde a democratização. Desde o fim dos governos militares, perído em que tudo ou quase tudo era proibido. No entanto os ataques pessoais se agigantaram com Lula na presidência e ainda se mantêm em grande parte facilitados pelo poder de penetração e rapidez de propagação que as novas mídias possuem. Hoje qualquer um se vê no direito de, inclusive por estes meios, acusar o ex-Presidente e a Presidente de ter cometido os mais sórdidos crimes, sem que isso lhe pese uma repreensão sequer. Tudo em nome da liberdade de expressão e também pelo estado de anonimato que pensam estar.

É possivel observar hoje em dia que algumas pessoas motivadas pela crença de que tudo que é veiculado na imprensa é verdadeiro. Em verdade devia ser mas, elas ainda não perceberam que no jogo de palavras, na forma, hora e data de publicação de certos fatos produzem efeitos bem diferentes. Mesmo assim é possível ouvir absurdos.

Casos de atraso ou qualidade abaixo do necessário de obras públicas levam a maioria das pessoas a imaginar que determinado político suborna a empreiteira para receber vantagens de todo tipo e que elas possuem um custo embutido na obra. Se é mito ou verdade algumas obras apresentam características que levam a este raciocínio. São ruas que acabaram de receber pavimentação e em poucos dias já estão avariadas, rodovias intransitáveis, escolas sem cadeiras e prédios públicos sem condições de uso. Quem não ouviu ainda falar de capa asfáltica casca de ovo? Ou que esse ou aquele político é 10?

A criação e destruição de mitos e tabus atualmente tem a sua origem nos meios de comunicação,  por meio de pessoas que tem os instrumentos adequados e capazes de, em pouco tempo, fazer circular informação. Até aí tudo bem, mas as pessoas que disseminam informações tem o dever de saber que estão formando a opinião de quem as recebe. Ocorre que a notícia veiculada de forma enviesada tem igual poder de formar. Isso aqui exposto não é de todo um fato novo mas, neste contexto, as críticas dentro dos princípios do respeito mútuo são bem vindas. Especialmente aquelas que são produzidas com o fim do aperfeiçoamento da nossa jovem democracia e direcionadas àqueles que possuem atribuições dentro poder público em todos os níveis.

Na democracia é necessário ter a responsabilidade sobre o que se produz e publica. Para os desavisados vale lembrar que, curtir uma publicação em uma página na rede social equivale assumir que o conteúdo dela foi coproduzido; uma coautoria. O recurso compartilhar do Facebook hoje e o retuitar do Twitter são os melhores  exemplos dentre as possibilidades de se tornar coautor de um conteúdo publicado. Reblogar, comentar, curtir são outras ‘facilidades’ ofertadas pelas redes soviais que envolve o teleleitor em outras situações de coautoria de conteúdo.

Apesar de tudo é importante ter o controle do impulso e expressar a indignação pelo mal feito e desvios de finalidade dos recursos públicos que sabemos são escassos. Então, em razão disso, importante, agir com responsabilidade.

Agora, voltando para o tema central desta publicação o caro teleleitor certamente viveu situação em que um ente da família, colega de trabalho, amigo, vizinho, seguidor e, até mesmo um desconhecido expresse opinião de cunho ideológico imcompativel com a sua situação econônico-financeira, social e cultura. Não raro encontrarmos situações semelhantes. É o resultado de constantes publicações viesadas patrocinadas por meios de comunicação descomprometidos com o seu papel social de formar.

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