A inserção da mulher na força de trabalho e discriminação salarial

A recente comemoração do dia internacional da mulher trouxe a lembrança dos fatos pré e pós revolução industrial, a natureza dos trabalhos a elas destinados e discriminação salarial. Hoje, possuem direitos constituídos em lei, carteira de trabalho e direitos estabelecidos para o exercício da maternidade. São avanços importantes conseguidos, mas elas precisam avançar ainda mais.

Elas já são responsáveis por 25% dos domicílios brasileiros. Já assumem cargos importantes nas empresas; na política se destacam. Isso ocorre não apenas no Brasil mas ao redor do mundo conhecemos mulheres líderes de empresas, de governo e de Estado. A realidade delas em números foi exposta em estudo publicado pelo IBGE baseado na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – PNAD.

Inserção da mulher

Elas precisam avançar ainda mais, mas já tem muito o que comemorar.

Quando dados sobre inserção da mulher no mercado de trabalho são comparados com os dados dos homens nos anos de 2009 e 2001 fica fácil observar que houveram avanços e que a força de trabalho brasileira está caminhando para um equilíbrio entre os sexos. Elas precisam romper a barreira imposta a elas no passado que desativaram-nas economicamente. Os dados revelam que em 2009 e 2011,  cerca de  65% delas não era ativas economicamente. Pior que naqueles após dois anos a situação piorou em 2011, passando de 64,7% em 2009 para 64,8% em 2011. É muita coisa quando se põe os olhos sobre os dados da população em que elas são 51,9% da população em 2011.

Pessoas ocupadas por faixa etária e sexo
Fonte: IBGE – Pessoas ocupadas por faixa etária e sexo

Os números do estudo mostram situação curiosa quanto a distribuição das pessoas ocupadas por sexo e grupos de faixa etária. A partir da faixa etária entre 18-19 anos ate à faixa dos 40-49 anos,  apesar da maioria ser de homens, as mulheres crescem em percentuais de ocupadas, enquanto que os homens decrescem.  O pico ocorre justamente na faixa de 40-49 anos onde a distribuição percentual entre homens e mulheres ocupadas, chega, respectivamente a 55,5% de homens e 44,5% de mulheres ocupadas. A partir desta faixa, as mulheres começam a perder participação na força de trabalho.

Fator importante para a inserção de quaisquer grupos no mercado de trabalho é a formação dos seus participantes. Na observação com foco em anos de escolaridade fica claro que o mercado de trabalho exige a cada dia escolaridade suficiente para o exercício na atividade econômica. Enquanto que em média, apenas 40,6% dos homens possuíam ensino médio, isto é, mínimo de 11 anos de escolaridade, as mulheres representavam 54,2%. A escolaridade era um quesito importante para a inserção na força de trabalho tanto de homens quanto de mulheres, mas elas, de alguma forma, compreenderam melhor a exigência do mercado de trabalho.

Distribuição da população ocupada por anos de escolaridade
Distribuição da população ocupada por anos de escolaridade

Seja nas ciências ou nas artes e na prestação de serviços no comércio, 31% delas tem preferência pelo trabalho nos serviços cumprindo uma jornada de trabalho média acima de 40 horas semanais. Já quanto aos rendimentos, 10% trabalham sem rendimentos enquanto que 32,9% recebem de 1 a 2 salários mínimos. Apenas 0,4% recebiam 20  ou mais salários mínimos.

Elas e o poder

Dilma Rousseff e Cristina Kirchner em Buenos Aires
Dilma Rousseff e Cristina Kirchner em Buenos Aires

A America do Sul conta hoje com Cristina Fernández de Kirchner eleita em 2007 na Argentina e Dilma Rousseff em 2010 no Brasil, mas já teve  Michelle Bachelet eleita em 2006 no Chile. O Brasil conta com 47 Deputadas e 11 Senadoras eleitas em 2010, além de 2 governadoras Roseana Sarney no Maranhão e Rosalba Ciarlin no Rio Grande do Norte. A brasileira e a argentina estão realizando mudanças estruturais nas áreas sociais, econômicas e culturais de seus respectivos países.

Assim como na América do Sul elas estão presentes na América do Norte, Europa, Ásia, África; mundo afora.

Segregação e discriminação

Antes, a inserção da mão de obra da mulher ocorreu por necessidade do Estado agregar mão de obra àquela recente e crescente indústria; hoje, para complemento da renda familiar cada vez mais achatada parte da qual, destinada às necessidades de manutenção da saúde, alimentação, transporte e lazer.

Pode-se afirmar que elas constituem uma minoria discriminada sendo maioria. São discriminadas na remuneração ganhando 20% menos que os homens, tal como as reais minorias. Índios e negros principalmente.

Este costume de segregar grupos para remunerar diferenciadamente seus participantes é sustentado por conceito de classe social. Elas (as minorias), considerando as minorias reais ou não reais, passam por uma segunda estratificação sendo que, muitas vezes passam, também, por uma terceira. O fim da segregação é a manutenção de castas e privilégios escalonados entre os grupos e subgrupos, constituindo classes e subclasses sociais com regras impregnadas de discriminação, não raro sutis, que dificultam ou impedem a mobilização entre as classes constituídas.

Estas razões são suficientes para garantir o “status” de entrada nas classes e subclasses, de forma que  somente se obtém exito no rompimento das barreiras existentes por meio de políticas públicas de valorização daquelas minorias tais como as de combate a miséria e políticas afirmativas.

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