A estratégia dos partidos na corrida rumo ao Planalto em 2014

Em artigo recente na coluna de política do jornal Valor seu autor menciona que a nova classe média promovida durante os governos de Lula e Dilma seria usada para derrotá-los. A afirmativa, justifica o colunista reside na dificuldade que o Partido dos Trabalhadores (PT), diferentemente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) tem de se comunicar com ela. Será que esta dificuldade, se ela existir, tão acentuada que justifique uma eventual retirada de apoio deste grupo ao PT? Onde se encontra e qual o instrumento para comunicar-se com a nova classe média que supostamente apenas PSDB possui que nenhum outro partido possa tê-lo?

Situação pouco observada, a batalha para o acesso ao Palácio do Planalto começou a ser travada bem mais cedo, como de costume. Com muita antecedência, partidos políticos e principalmente candidatos à sucessão presidencial iniciam, desta vez bem antes, a construção de estratégias com o propósito de assumir o mais alto posto do poder executivo brasileiro. O objetivo é remover a atual ocupante e seu partido que completa 12 anos no Planalto, mas com chances de quatro adicionais se obter sucesso na batalha que se inicia.

Palácio do Planalto
Palácio do Planalto

Estratégias são caminhos possíveis de serem trilhados para alcançar um objetivo. O PSDB o partido que em teoria reúne condições de remover uma Presidente de considerável apoio popular e que sucedeu a outro ainda mais popular inicia a construção de estratégias, auxiliado pelo seu ex-presidente, mídia tradicional e outros partidos. Levando em consideração a estratégia específica exigida por quem que seja são muitas as interrogações a serem feitas. Senão, vejamos: quais os instrumentos e ferramentas mais adequadas para serem usados? que fatos e cenários precisam ser explorados e possíveis de serem usados? quais os cenários possíveis favorecem partidos e candidatos na corrida? e quais os que desfavorecem?
Palácio do Planalto em Brasília, Brasil. (Photo credit: Wikipedia)

Grandes temas, indiscutível, devem ser considerados pois é a partir deles que se pode aprofundar o levantamento dos fatos e cenários. Daí, dos fatos e cenários, estabelecer instrumentos e definir as ferramentas mais adequadas para cada cenário. Por fim,estabelecer o que ou quem será envolvido como “garoto propaganda”, uma espécie de peça central por atuar de maneira transversal a todos os fatos e cenários.

Análise do ambiente

Como na estratégia empresarial os primeiros passos da corrida rumo ao Planalto é analisar o ambiente. Um verdadeiro trabalho de identificação, por um lado, das forças e fraquezas (pontos fracos e fortes) em um ambiente partidário e coligado; das ameaças e oportunidades, por outro lado, no ambiente dos partidos e coligações concorrentes.

As questões da economia como por exemplo o controle da inflação e programas sociais, de política interna como o alinhamento com os sindicatos representantes da classe laboral e movimentos sociais e de política externa como a evolução do Mercosul e UNASUL em oposição à ALCA e o consistente avanço da participação do Brasil em organizações internacionais como a recente eleição de um brasileiro para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), certamente farão parte do arcabouço dos grandes temas a serem considerados. O acirramento do debate mesmo que em monólogos destes temas pontuais torna possível a construção de quadro sobre a disputa e seu nível.

Para completar o rol de temas ainda restam, mesmo que distante da disputa, a questão ideológica atualmente travada em plano de fundo. A crise na Europa que desnuda a ideologia neoliberal expondo suas fraquezas ao desempregar milhões de pessoas deve também fazer parte dos temas da pauta do debate.

No entanto, o sucesso da batalha que já está sendo travada depende do ambiente político, política social e econômico e dos cenários possíveis de serem construídos com ele. A comunicação com a nova classe média apesar de sua importância para o estudo do ambiente e para a construção dos cenários não se revelou anteriormente e tão pouco neste momento ser de exclusividade de um partido.

Cenários favoráveis e desfavoráveis

Atualmente enxerga-se duas correntes na disputa. Uma, com o Partido dos Trabalhadores, teoricamente no espectro esquerdo ideológico e a outra com o PSDB, também teoricamente posicionado mais a direita. Mesmo existindo a possibilidade de outro partido surgir como uma terceira via não é razoável supor algum que realize os feitos de Color de Melo.

Questões ideológicas devem ser debatidas em segundo plano, uma vez que o grave problema que assola o velho mundo é ideológico. Isto é, se resume na aplicação dos conceitos, teorias e idéias neoliberais que acentuam diferenças sociais em oposição à defesa da distribuição de renda e a busca pela redução das desigualdades. É o debate entre direita e esquerda, pensamento conservador ou progressista, capital e trabalho.

É possível construir cenários favoráveis e desfavoráveis para ambas as correntes. Quaisquer cenários construídos podem ser alterados em razão do comportamento da economia, principalmente. Quaisquer alterações em quaisquer cenários favorecem ou desfavorecem uma das correntes.

A lógica geral é se mantidos o nível de emprego atual, os programas sociais e até a sua ampliação favorecem a corrente liderada pelo PT. Como ficou provado com a recente onda de boato sobre o fim do Bolsa Família, o programa é sensível ao ponto de alterar imediatamente a decisão de eleitores e por isso não deve ser desprezada. Por outro lado, as recentes medidas privatistas adotadas por Dilma Rousseff devem afetar negativamente o alto nível de aceitação de seu governo. Este custo pode até ser desprezível se José Serra não sair candidato. Mesmo que se explique e demonstre diferenças entre as medidas tomadas por FHC o sentimento de entrega do patrimônio público a iniciativa privada persiste.

Longínquos meses até 2014
Dentre os temas possíveis de serem debatidos movimentos indicam que Lula e FHC são partes de uma espécie de comissão de frente de ambas as correntes. Afinal, copiando o feito de Lula em 2010 e 2012, FHC acaba de lançar Aécio Neves candidato.  Ambos mentores terão muito o que fazer nos longínquos meses que antecedem as eleições se esta previsão se realizar.

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