Copa do mundo beneficia a economia brasileira

Depois dos protestos e manifestações iniciadas em São Paulo reivindicando redução das passagens do transporte público proliferam pelo país protestos que cobrem agenda diversificada. Os manifestantes entendem que os investimentos públicos para a realização da Copa do Mundo e para a Copa das Confederações não são prioritários e que os recursos teriam que ser investidos em saúde e educação, principais problemas sociais atuais.

Os manifestantes têm razão quando argumentam que os problemas sociais são prioritários. Entretanto, focado na solução dos problemas da saúde, educação e segurança, o evento alavanca os níveis de emprego e renda nacionais. O quantum impacta diretamente nos valores do Produto Interno Bruto. É o que a FGV Projetos, unidade de extensão de ensino e pesquisa da Fundação Getúlio Vargas responsável pela aplicação do conhecimento acadêmico, gerado e acumulado em suas escolas e institutos afirma. Os investimentos realizados para a realização do evento serão multiplicados por até 5 vezes, afirma o estudo “Brasil sustentável Impactos Sócioeconômicos da Copa do Mundo 2014“. Com mais de 30 anos de experiência assessorando instituições brasileiras, a FGV Projetos reúne capacidade técnica, metodologia e corpo técnico capazes de contribuir para a eficiência das práticas gerenciais e econômicas de organizações públicas, empresariais e do terceiro setor, no Brasil e exterior.

Copa do Mundo de 2014 no Brasil
Impactos da Copa do Mundo de 2014 no Brasil

Segundo seu estudo a economia brasileira produzirá entre os anos de 2010 e 2014 total de R$ 142,39 bilhões adicionais após investir 22,46 bilhões no mesmo período. O valor, prevê o estudo, impacto em 2,17% do PIB nos quatro anos anteriores à realização do evento. A construção civil, alimentação, serviços prestados às empresas, serviços imobiliários vinculados a aluguéis, serviços de utilidade pública, de intermediação financeira e seguros, de informação e transportes são os setores que mais são beneficiados, resultado do impacto direto e indireto em suas atividades.

O impacto na economia brasileira previsto se limita aos quatro anos, 2010 a 2014. Sabe-se que os efeitos dos investimentos permanecem impactando a economia nos anos posteriores. Os efeitos dos investimentos nos anos pós eventos esportivos são determinados pela capacidade dos agentes envolvidos no uso do legado construído. Por isso a previsão do impacto sobre a economia ficou delimitada pelos quatro anos que antecedem a realização da Copa do Mundo no Brasil.

Modelo Insumo-produto

Estudos de natureza semelhante ao relatado aqui se apoiam em ferramentas de previsão baseadas na teoria clássica do equilíbrio geral. Tem-se como exemplo a matriz insumo-produto idealizada por Wassily Leontief. O modelo estruturado por ele é conhecido também como Insumo-produto ou Input-output Model ou Input-Output System. 

Leontief desenvolveu o modelo observando e estudando economistas clássicos e os fisiocratas de cujas atividades pôde construir a estrutura input-output (entrada-saída) usada como ferramenta de previsão econômica, planejamento e contabilidade social e como alternativa ao rateio comumente usado pela contabilidade gerencial. Este blog publicou aplicação do modelo ao  Activity-Based Costing, Sistema de Custos baseado em Atividades ou Sistema de Custos ABC.

Além dos impactos diretos e indiretos causados pelos investimentos há também o induzido, resultante das decisões de consumo das famílias dadas as condições de aquisições de bens e serviços em razão da renda de origem salarial. O modelo insumo-produto permite o cálculo dentre outros, multiplicadores de renda que determinam as variações nos gastos ocorridos na demanda final originada da renda das famílias. Segundo CASIMIRO FILHO (2002), o multiplicador de renda é definido como uma nova renda gerada em todos os setores da economia resultante do aumento de uma unidade monetária de demanda final pelo produto de outro setor.

Análise e previsão usando a teoria do Insumo-Produto

A análise econômica baseada no modelo insumo-produto desenvolvido por Leontief é usada para estudar as relações econômicas entre os setores, da qual pode-se decompor em duas técnicas: a análise de impacto, tradicional na determinação das mudanças na produção total dos setores componentes da economia, relativamente à uma mudança na demanda final de um dos setores; a previsão consiste em projetar o consumo na demanda final.

O ponto de partida da análise insumo-produto é uma tabela insumo-produto. Ela consiste na descrição em termos monetários, dos fluxos de bens e de serviços ocorridos na economia delimitada e em estudo num determinado período, normalmente um ano, promovido pelos agentes econômicos que atuam nos setores envolvidos. O modelo insumo-produto, apesar de suas restrições de estruturação de tabelas e capacidade computacional constitui ferramenta útil na análise econômica. A possibilidade da construção de espaços econômicos sejam pela delimitação de áreas geográficas como pela delimitação por grupos de agentes econômicos em um mesmo espaço geográfico torna-se possível realizar com nele, análises de impacto ou previsão.

Na prática, o modelo permite análise econômica em razão de mudanças na demanda final do referido espaço ou área econômica. O cálculo dos multiplicadores de efeitos simples e totais, por exemplo o efeito-renda, nível de renda e de produção, impacto sobre as importações e exportações dadas condições econômicas de insumos e meios de produção disponíveis. Um dos campos de interesse do modelo é a análise das ligações entre as indústrias do espaço econômico delimitado. As referidas ligações são representadas pelas trocas inter-industriais de onde pode-se analisar a inter-dependência entre elas quando ofertam ou demandam produtos para outras indústrias.

Impactos da Copa do Mundo de 2014

O estudo realizado pela FGV Projetos estimou que dos R$ 22,46 bilhões investidos em obras resultam, até à realização do evento, geração de R$ 112,7 bilhões na economia. Deve gerar também 3,63 milhões de empregos e R$ 63,48 bilhões em renda direcionada para o mercado de consumo. O consumo contribui para a arrecadação de tributos estimada em aproximadamente R$ 18 bilhões em impostos para os cofres públicos.

Dos fatos escancarados pelas manifestações e das previsões frias de economistas elaboradas a luz de modelos matemático comprovado tem razão os manifestantes. O raciocínio direto lembra que se existe recursos para sediar o evento esportivo deve haver também para cobrir as necessidades sociais. É uma lógica, inclusive bem aplicada nas economias domésticas. Entretanto, as autoridades não podem perder a oportunidade que o evento propicia para promover a modernização de serviços públicos essenciais de comunicação, transporte e implantar a infraestrutrura necessária ao crescimento após 2014.

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