Salário mínimo que apavora e um presidente sem noção

Encerrado 2013.

Mantemos o costume de fazer listas ao estilo “maiores e melhores” ou “menores e piores” do ano. Esta tendência é real e normalmente os itens dos piores, menores, maiores e melhores ficam dentre os números sete, dez e quarenta! Isso lembra dos sete pecados capitais, dos dez mandamentos e da história de Ali Babá e os quarenta ladrões?

Sem pretensões de fazer uso de números “cabalísticos”. É preciso prestar atenção na reação das pessoas quanto a dois fatos de 2013: o primeiro está relacionado com o valor do salário mínimo definido pela presidência da Republica que deve viger a partir do segundo dia do mês de janeiro de 2014; o segundo, com a fala do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique  Eduardo Alves sobre as atividades daquela casa de leis, pouco antes do natal, em 2013.

Ao primeiro fato.

O valor do salário mínimo ou o índice de sua correção não pode ser renegado por trabalhadores assalariados.

A política de salário mínimo sempre esteve em posição de destaque na vida dos trabalhadores assalariados do qual são beneficiários. Do lado oposto estão empresários empregadores, da qual são opositores. Em geral, a política de salário mínimo tem seus apoiadores e opositores. Encontrar opositores dela dentre os assalariados dá a percepção de,  no mínimo, zombaria e desconhecimento de sua própria realidade.

Após o anúncio do valor do salário mínimo ouvi  reclamações e até posições contrárias. E elas não vieram de empregadores mas de empregados. Foram clamores da ausência de indexação dos seus salários com o valor do salário mínimo e certo temor da possibilidade de que surja uma onda inflacionária em razão de um maior volume de recursos para consumo nas mãos dos trabalhadores.

O salário mínimo que a partir de 02/01/2014 será de R$ 724,00 e foi de R$ 678,00 em 2013. Um acréscimo de 6,8% necessário para recuperar, com certa sobra o poder de compra do valor  já que a inflação acumulado de 2013 está estimada em 5,77%. O valor do salário mínimo em 2012 foi de R$ 622,00 que comparado com o instituído em 2013 resulta em um acréscimo de 9,0%. Recuperou o poder de compra do trabalhador diante de inflação anual de 6,19%. O salário mínimo instituído em 2011 foi de R$ 545,00 que comparado com o de 2012 representou um acréscimo de 14,1% suficiente para recuperar o seu poder de compra com sobra, já que a inflação acumulada em 2011 de 6,07%.

A tabela “Salário Mínimo e Inflação 2000-2013” mostra a evolução dos salários mínimos daqueles anos ao lado dos índices que mediram a inflação nos respectivos anos. O INPC do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (http://www.ibge.gov.br), IPC da FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (http://www.fipe.org.br) e ICV do DIEESE – Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos  (www.dieese.org.br) calculam índices de preços do consumidor e eles foram usados na comparação do nível de salário frente à inflação.

Salario minimo e inflação 2000 - 2013
Salario minimo e inflação 2000 – 2013

Alguém acredita que um assalariado critique o aumento e a data de vigência do salário mínimo? Poderia um trabalhador tecer comentários negativistas sobre o índice de reajuste do salário mínimo?

Vejamos o gráfico ao lado para melhor entender o que a política de salário mínimo representa para todos os trabalhadores assalariados. Ele foi gerado a partir dos dados da tabela anterior e compara os índices de inflação de 2000 a 2013 com os índices de reajustes do salário mínimo de 2000 a 2014. Em verdade o poder de compra do trabalhador vem sendo recuperado a cada ano, além disso, renda adicional está sendo introduzida também, uma vez que as correções estão sempre acima da inflação calculada, apesar da defasagem da reposição.

Afinal, o que leva um trabalhador a tomar posição contra esta política de salário mínimo? A resposta para esta pergunta é obtida quando se introduz o tema política partidária em conversas tipicas daquelas de mesa de bar. Reconhece-se a fonte de informação que usam.

Ao segundo fato.

Henrique Eduardo Alves, o presidente sem noção não reconhece a vontade do povo em meio a manipulação dele.

Em sua fala, pouco antes do natal, o presidente foi a tevê, numa espécie de prestação de contas de sua gestão, dizer dentre outras coisas que a Câmara dos Deputados que ele preside atendeu o clamor do povo expresso nas manifestações de junho. Mencionou a rejeição da PEC-37 naquela casa. Eu mesmo escrevi sobre isso em “Comportamento de manada ou manipulação das ruas

O presidente da Câmara e todos os deputados têm a obrigação de, por meio de todos os instrumentos disponíveis, atender o clamor das ruas; não apenas as de junho.

Mas imagino que os deputados tem a obrigação, também de discernir o clamor legítimo do povo das manipulações de pequenas massas de manobra. A vontade do povo se encontra expressa, também, em meios de comunicação alternativos não apenas em manifestações de rua incitadas por propaganda veiculada nas grandes empresas de mídia.

A rejeição da PEC-37 foi caso atípico e ficou clara a manipulação das ruas contra ela. Recordamos que a dita PEC tramitava naquela casa como uma aeronave em céu de brigadeiro. Possuía o apoio de grande parte dos deputados e caminhava para sua aprovação quando de repente foi rejeitada.

Que presidente sem noção!

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