A imprensa privada brasileira lidera a formação de onda fascista

Baseado em fatos reais!

Conta o enredo do filme “A Onda” dirigido por Dennis Gansel, estrelado por Jürgen Vogel e inspirado no livro homônimo de 1981 do autor americano Todd Strasser e no experimento social da Terceira Onda, que Rainer Wenger, professor em uma escola de nível secundário foi indicado para dar aula sobre autocracia durante uma semana.

O filme conta fato real da pesquisa de Ron Jones, um professor de história da Escola Secundária Cubberley, de Palo Alto, Califórnia, no ano de 1967 que, na tentativa de responder às muitas perguntas de seus alunos resolve demonstrar como as atrocidades contra cidadãos poderia ter ocorrido durante o nazismo. Para isso,  Jones passou a impor-se como uma figura autoritária em sala de aula. Os valores por ele defendidos passaram a ser comunidade, força e, sobretudo, disciplina.

Após ter iniciado seus alunos no tema, como estratégia educacional, o professor se propõe a provar para eles, na prática, que seria possível outra ditadura na Alemanha. E forma um governo fascista em sala de aula.

A Onda, o filme
A Onda, o filme

Evidente que não estamos vivendo uma ditadura e que as instituições estão em pleno funcionamento, apesar de alguns órgãos de imprensa, desde junho de 2013, tentarem convencer da necessidade de mudanças, inclusive com intervenção militar.

Estamos, enfim, vivendo um estado democrático de direito. É difícil haver uma ruptura política neste momento, uma vez que ela somente ocorre em períodos de convulsão social.

Desemprego e inflação persistentes, por exemplo, o surgimento de um indivíduo ou um grupo de indivíduos com apoio e poder suficientes para mudar as leis e formar um governo autocrático.

No experimento contado pelo filme criou-se no governo autocrático do ambiente estudantil três condições subjacentes à autocracia: um líder ao qual todos deviam obediência foi escolhido e um simbolo foi produzido. E a ação, a principal das condições, responsável, no filme pela expansão do grupo. Na ação, o símbolo da onda foi espalhado pela cidade.

Diferentemente do enredo escrito e estrelado pela turma liderada por Wenger, “A onda” brasileira é liderada pela imprensa privada que em conjunto com partidos de oposição conseguiu construir pelo menos uma das condições inerentes à autocracia. A insatisfação política de parte da sociedade. Mesmo sendo seletiva foi suficiente para conduzir milhares de jovens e adultos, trabalhadores e profissionais liberais, advogados e engenheiros a se comportarem com ódio em relação ao PT, Lula e de Dilma.

Hoje o trabalhador brasileiro vive em situação de pleno emprego. A economia caminha lentamente  apresentando baixa taxa de crescimento, mas inflação está controlada (pois está e ficará dentro da meta). As instituições democráticas independentes e em pleno funcionamento. Mesmo assim, a mídia brasileira consegue produzir uma multidão de eleitores, cuja ideologia se alinha ao do comportamento fascista.

No grupo produzido pela imprensa, formada na sua maioria por grandes empresas de mídia, não é impossível encontrar muitos médicos, advogados, economistas, contadores, jornalistas, estudantes e trabalhadores em geral. O discurso é sempre difuso. E versa, não raro, sobre o que os âncoras das tevês, locutores dos rádios e dos colunistas de jornais diários e das revistas semanais repetem desde a eleição de 1989. Corrupção, sistema de saúde e transportes, educação e a estagnação do crescimento da economia.

Os órgãos da grande imprensa  vem liderando há anos a ‘revolta’ contra os partidos de esquerda. Usando o noticiário diário ela massifica as idéias de descontrole no governo na condução das questões mais importantes e urgentes. Os seus leitores e telespectadores reproduzem como os papagaios a ideologia que defendem .

A Onda, o filme

“A onda” coloca em pauta uma questão que não pode ser deixada de lado. A possibilidade de formar outro estado nazifascista na Alemanha. E principalmente se existem condições para se formar um Estado fascista no mundo.

E no Brasil?

Na Alemanha da época as pessoas perguntavam umas às outras, após a morte do Hitler. Como foi possível um Estado Democrático ter sustentado uma onda fascista da envergadura da imposta pelo Fuhrer?

Impensável hoje, pois, a comunicação de massas daquela época era primitiva se comparada com a velocidade das redes sociais de hoje. Sem esquecer das grandes redes de rádio e tevês formadas durante a ditadura militar. Formada com capital internacional ilegal, diga-se. Uma delas, a Rede Globo, possui repetidoras em todo país e resulta em grande audiência.

A democracia brasileira já madura merece um estudo de caso, motivado pelo fato que a imprensa privada, dominada por algumas poucas famílias exerçam o papel de partido de oposição. Sim, eles são a verdadeira oposição ao governo de esquerda instalado no Palácio do Planalto em 2003 e que alterou significativamente as condições na direção de uma sociedade mais igual.

Os meios de comunicação mencionados tem interferido nas eleições desde 1989 na disputa entre Lula e Collor de Melo. Seu método hoje consiste em passar e repassar à sociedade a mensagem da insatisfação política e descontrole da inflação para alterar o resultado da eleição por meio do voto inconsciente da maior parte da população. De semelhanças ao golpe que acabou com o governo de João Goulart  existem com fartura.

Tentativa de golpe

Eis que o fato se repete às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2014. Panfleto, a revista Veja publica em edição antecipada, conteúdo mentiroso de que um delator primado acusa Lula e Dilma.

Em “A onda” o professor Wenger avisa aos seus alunos que na sexta-feira seria transmitido um comício que jamais teve.Em “O Petrolão” de Veja os militantes da direita brasileira esperavam pelo tiro certeiro. Bala de prata do falso conteúdo, repercutido como verdade Globo. Esta trama apenas revela a mais fascista das campanhas da direita no Brasil desde a sua redemocratização.

Não será nesta campanha, mas fica a interrogação. Com a interferência da mídia privada, o fascismo pode triunfar no seio da sociedade brasileira?

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