Afrouxando a gravata do juiz Moro

Nos últimos dias mencionar o direito para justificar prisões, conduções coercitivas e delações premiadas não está pegando bem. Muito dos direitos individuais constitucionais estão sendo ignorados por juízes, procuradores, delegados e policiais federais em nome de uma inexplicável vontade de acabar com a corrupção.

Análise da professora de Direito da FGV Rio, Silvana Battini publicada no O Globo conclui que foi um mal menor não ter levado o ex-presidente à força, coercitivamente, porque ele não se negou a ir para o aeroporto ser interrogado. Apesar do juiz ter ordenado a condução forçada, coercitiva o ex-presidente foi conduzido ao local diferente ao de coleta das provas pra não prejudicar o trabalho dos delegados. Alega que é padrão da Lava Jato efetuar prisões preventivas e temporárias além conduções coercitivas e que não podia ser diferente na 24.ª operação. Não foi diferente, mas o alvo foi.

Afinal, menos mal para quem, professora?

Que ninguém está acima da lei não deixamos de saber. Perde o tempo, quem usa este argumento para justificar atos como o ocorrido no dia 29 de março. Claro que o ex-presidente Lula não está acima da lei, mas é fácil enxergar muitos políticos que estão acima dela.

Aécio Neves foi citado pelo menos quatro vezes por delatores da operação Lava Jato, mas ninguém da justiça o importunou até ontem. Mas está envolvido com a conhecida Lista de Furnas e suporto contrabando do nióbio de Araxá, além do conhecido aeroporto de Cláudio superfaturado e construído em terras de parentes.

Eduardo Cunha vem praticando corrupção ativa e passiva há anos, mas precisou da justiça de longe denunciar. Senão a justiça daqui jamais teria movido uma palha para interceptar e interromper os atos do corrupto. Só agora o deputado foi denunciado ao STF, mas ainda comanda a Câmara dos Deputados e é o primeiro na linha de sucessão no caso de impedimento da Presidente e do Vice.

O Estado de São Paulo é um caos em termos de corrupção, mas os políticos de lá até se julgam no direito de bradar pelo fim da corrupção. Do superfaturamento na aquisição e manutenção de trens à merenda escolar, ta tudo dominado por atos suspeitos de corrupção. De Mario Covas à Geraldo Alckimin passando por José Serra, que foram governadores nestes longos períodos, mas a justiça estadual e os competentes procuradores e delegados da polícia federal não movem uma palha pra pegar um corrupto sequer.

O povo mineiro tomou as providencias em Minas Gerais expulsando Aécio Neves e tucanos do poder Estadual mineiro. Lá, um policial faz denúncias específicas envolvendo o senador há mais de ano. Há suspeita que nos governos tucanos de Minas Gerais malversaram os recursos da saúde que foram desviados de sua finalidade. Tem a Lista de Furnas um esquema semelhante ao da Petrobrás. Dele vários políticos tucanos abasteceram seus caixa, além do Nióbio, metal mais precioso do mundo. Um aeroporto em terras particulares foi construído na cidade mineira de Cláudio  e superfaturado com recursos públicos daquele erário. Um helicóptero de propriedade da família de políticos mineiros com meia tonelada de pasta base de coca foi apreendido em uma operação da PF nas proximidades do aeroporto de Cláudio. Ninguém importante e nenhum bandido foi preso, apesar do piloto ser funcionário da Assembléia lotado no gabinete do político dono do helicóptero e o combustível ter sido pago com recursos públicos mineiros, mas ninguém está respondendo por isso.

A recente denúncia contra o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso feita por sua namorada à época revela imaginário sistema de vantagens e prática de ilegalidades praticados no exercício da Presidência.

A mídia privada em geral, especialmente a rede globo que vive bradando pelo fim da corrupção mas possui telhado de vidro por praticar sonegação fiscal e a justiça nestes casos não fizeram nada espetacular. Não mobilizaram dezenas de veículos, delegados, procuradores e funcionários, tão pouco colocaram repórteres e  jornalistas para cobrir investigações. Porque não existe investigação e as que existiram ou existem estão ocultas ou escondidas em gaveta poderosa de algum procurador. Não fizeram nada conclusivo com efeito sobre a redução da corrupção.

Portanto, não adianta agora querer afrouxar a gravata do Moro, professora.

Está claro para mundo inteiro que o que querem parte da PF, do MPF e todo o MPSP, a rede globo e suas revistas de fofocas, juntamente com outras revistas e uma imensa rede de rádio Brasil afora é afastar o PT do poder.

Porque dói levar pobres, nordestinos e negros para as universidades para serem doutores!

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