O discurso moralista de quem devia saber

Chegamos ao estágio decisivo para a política nacional e, igualmente para os destinos da economia, agora unânime cambaleante. As pedaladas que foram os motivos do impeachment da Presidente eleita Dilma agora se revelam uma farsa. Os motivos eram outros, como está claro hoje. Estamos no fundo do poço.

A constatação dessa situação não significa que sou pessimista quanto ao futuro; quanto ao nosso futuro como brasileiros que até 2015 estávamos repletos de orgulho de ser. Pelo contrário, sou otimista. Primeiro porque, como costumo dizer, a mentira anda a galope e seu cavalo é paraguaio; a verdade anda a tartaruga reptiliana. Este é o motivo do otimismo. Depois de tantas mentiras espalhadas pela mídia privada e pelas rede sociais, a verdade vai aparecendo aos poucos. Os falsos heróis estão sendo desmascarados um depois do outro.

Instituições que confiávamos entraram no jogo da mídia e estão sendo desmascaradas também. Veja. Por anos, acreditávamos que o Ministério Público, dito Federal defendia os interesses dos brasileiros; que a polícia federal era o nosso poço do republicanismo possível; e, o STF, nossa última instância, defensor da lei e, principalmente da Constituição. Eis que descobrimos que parte do Ministério dito Público possui como membros  procuradores que exercem suas funções atuando por interesses privados; a polícia federal, igualmente, tem suas preferências políticas; apoiaram abertamente pelas redes sociais ideologia neoliberal, preferindo o então candidato Aécio Neves da Cunha nas  eleições presidenciais de 2014. E o STF é uma aberração. Alega que não se mete em política, mas enquanto as coisas caminham conforme seus interesses como a garantia de altos salários; do contrário são omissos, no mínimo. Está clara a ilegalidade do impedimento da presidente eleita porque os votos comprovadamente foram conseguidos por meio do pagamento usando recursos monetários de origem duvidosa. Existem suspeitas de ministros que receberam propinas da Odebrecht e JBS. E para piorar, abertamente ministros “falam” fora dos autos.

Li texto de Carlos Fernando Lima, um dos procuradores da Lava-Jato em que disse que todos partidos, de uma forma ou de outra roubaram. A constatação que ele sabia disso já é motivo suficiente para suspeitar do procurador. Seu discurso é moralista. Discursos moralistas é próprio dos fascistas. Carlos Fernando em seu discurso deixa implícito o nome de, pelo menos, um político de cada partido, mas por alguma razão o procurador preferiu envolver os partidos e não as pessoas envolvidas, no linguajar do MPF, o chefe de cada partido. Deviam saber e ter citado um a um dos chefes; aliás, tem o dever de saber. No STF Gilmar Mendes é a degradação do judiciário. Assim expressou o jurista Dalmo de Abreu Dallari em 2002 quando Mendes foi indicado ao STF por FHC. Ele é a degradação do STF como está constatado.

O representante do MPF em seu discurso moralista poderia bem ter citado os nomes dos chefes dos partidos. Assim teria que estampar nas redes sociais o nomes de graúdos tucanos, sabidamente e comprovadamente protegidos por uma grande parte do sistema judicial, o PMF principalmente. De nada adianta ter um discurso moralista e não parecer dotado de moral na atitude. Se membros da justiça se envolvem com corruptos escondendo seus crimes, prevaricam, o que se conclui? Se o Ministério Público Federal quer realmente acabar com a corrupção o melhor a fazer em primeiro lugar é parar de nos enganar com este pseudo discurso moralista.

Estamos politicamente atravessando o “saara” político e econômico em que estão se perdendo as energias acumuladas em lutas de classe travadas por décadas. Conquistas sociais são destruídas por um grupo neoliberal liderado por Temer depois de ter se envolvido de maneira oculta no processo de impedimento. A verdade demorou, mas chegou para Temer e ela chega de forma triunfal indubitável. O impedimento de Temer deve se dar não por falsas alegações, mas com provas irrefutáveis já conhecidas pelo mundo inteiro.

A passagem está sendo cruel, sabemos. Sem discurso moralista logo estaremos do outro lado convivendo de novo com a liberdade e democracia que jamais devíamos ter perdido. De preferência com as citadas instituições atuando de acordo com as suas atribuições e sem desvios de finalidades e nenhum direito conquistado a menos.

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